POLÍTICA EXTERNA

Durigan critica fala de Trump sobre situação política do Brasil

Em entrevista, ministro defendeu estabilidade institucional, eleições livres e disse que Pix não entra em negociação com os EUA

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 09:26
O ministro da Fazenda, Dario Durigan © Foto / Washington Costa / Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta quinta-feira (18) a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou na quarta-feira (17) que a situação política do Brasil havia se tornado “perigosa”.

“É uma declaração que não cabe, a do presidente Trump”, disse Durigan em entrevista ao portal Metrópoles. “A preocupação do Brasil é de manter a estabilidade institucional, de ter eleições livres.”

As falas de Trump ocorreram na quarta-feira, durante entrevista coletiva na reunião do G7, na França. O presidente americano disse que a situação política do País se tornou “perigosa” ao se referir às reportagens do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF.

Trump pareceu confundir Eduardo com o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao afirmar que havia sido condenado um filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que estava “indo bem nas pesquisas”.

Durigan afirmou que o ano de 2022 “marcou profundamente o País”, em razão do não reconhecimento do resultado das eleições. Naquele pleito, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, derrotou Bolsonaro por pequena margem no segundo turno.

"O que nós precisamos deste ano? Ter eleições livres no País, as pessoas podemem votar sem ter a Polícia Rodoviária Federal bloqueando os ônibus de quem está de deslocamento, não ter questionamento do resultado da eleição", declarou o ministro.

Durigan acrescentou que há um “interesse econômico” dos Estados Unidos na imposição de tarifas contra o Brasil, além do interesse político de “beneficiar a família Bolsonaro”. Segundo ele, o governo brasileiro buscará todos os canais de negociação, mas sem abrir a mão de alguns pontos.

"Por exemplo: o Pix não pode estar em discussão em uma mesa de negociação, porque não vamos abrir a mão do Pix para adotar uma ferramenta recomendada pelo governo ou pelas empresas norte-americanas. Isso está fora de questão", afirmou. Durigan também disse que as polícias brasileiras precisam lidar com o crime organizado no País.