TRANSPARÊNCIA DIGITAL

CDH aprova regra para notificar remoção de conteúdo sem decisão judicial

Projeto altera o Marco Civil da Internet e segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça

Por Agência Senado Publicado em 17/06/2026 às 12:29
Agência Senado

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou nesta quarta-feira (17) um projeto que obriga provedores de internet a informar sempre que retirarem conteúdo da rede sem ordem judicial. A proposta altera o Marco Civil da Internet (Lei 12.965, de 2014) para criar mecanismos de transparência nos casos em que conteúdos publicados na internet forem tornados indisponíveis sem determinação da Justiça.

Apresentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), o PL 3.283/2025 recebeu parecer favorável do relator, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto foi lido durante a reunião pela presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

De acordo com o projeto, as plataformas na internet terão até 24 horas para comunicar a exclusão de conteúdo ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao Congresso Nacional, por meio da Comissão Mista de Controle Externo da Atividade de Inteligência (CCAI).

A proposta também prevê que a comunicação obrigatória não se aplica a remoções automáticas voltadas ao combate de mensagens indesejadas em massa, programas maliciosos, tentativas de enganar usuários para obtenção de dados, fraude, violação de direitos autorais ou outras atividades de abuso técnico da plataforma.

O PL 3.283/2025 foi apresentado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou parcialmente inconstitucional o dispositivo do Marco Civil da Internet sobre a responsabilização de provedores por conteúdos publicados por terceiros. Para Esperidião Amin, a decisão abriu espaço para que plataformas digitais removam conteúdos sem controle judicial direto, “o que poderia gerar risco de abusos e censura”.

Flávio Bolsonaro apresentou emenda para incluir o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (CCS) entre os órgãos que devem receber a comunicação. Segundo o senador, o conselho tem competências relacionadas ao tema, como a emissão de pareceres e recomendações sobre liberdade de expressão e regulação da mídia, o que justificaria sua inclusão.

Na avaliação do relator, o projeto é essencial para ampliar a transparência na retirada de conteúdos, evitar censura, preservar a liberdade de expressão e reduzir o risco de excessos por parte das plataformas digitais.

Flávio Bolsonaro também afirmou que a decisão do STF aumentou a possibilidade de “remoções indevidas e silenciosas”. Por isso, considerou que a proposta cria “um mecanismo de transparência e responsabilização institucional” quando conteúdos forem retirados da internet sem decisão judicial.