Renan sobe o tom sobre Iprev e diz que responsáveis por dinheiro “surrupiado” devem acabar na cadeia
Em vídeo publicado no fim do dia, senador confirma que dirigentes do instituto e secretário de Finanças de Maceió serão chamados à CAE para explicar aplicação de R$ 117 milhões no Banco Master
O senador Renan Calheiros elevou o tom, no fim desta terça-feira, 16 de junho, ao comentar novamente a aplicação de aproximadamente R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió, o Iprev, em títulos do Banco Master.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Renan afirmou que não pode haver silêncio ou omissão diante da possibilidade de o patrimônio dos aposentados e pensionistas de Maceió ter sido comprometido.
“Se o dinheiro do aposentado já foi surrupiado, não existe espaço para omissão”, declarou.
A manifestação foi divulgada horas depois do anúncio de que dirigentes e ex-dirigentes do Iprev, além do secretário responsável pelas finanças de Maceió, serão chamados para prestar esclarecimentos à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, a CAE, presidida por Renan.
A convocação já havia sido noticiada, mas o vídeo acrescentou um elemento novo ao caso: o senador endureceu o discurso, afirmou que seguirá pessoalmente a apuração e declarou que pretende chegar aos responsáveis pela operação.
Veja o vídeo no fim da matéria.
“A população tem o direito de saber”
No vídeo, Renan afirmou que a população de Maceió precisa conhecer todos os detalhes da aplicação milionária feita com recursos previdenciários.
Segundo ele, os responsáveis pela operação deverão explicar como o investimento foi realizado, quais critérios foram utilizados, quem recomendou a aquisição dos títulos e quem autorizou a destinação do dinheiro ao Banco Master.
“A população de Maceió tem o direito de saber como esse investimento foi feito, quais critérios foram adotados e quem autorizou a operação”, afirmou.
As explicações deverão ser apresentadas à CAE, que acompanha as investigações relacionadas ao Banco Master e às aplicações realizadas por fundos e institutos de previdência.
Renan anunciou que chamou o secretário de Finanças de Maceió para prestar esclarecimentos sobre a operação. Dirigentes ligados ao Iprev também deverão ser ouvidos para explicar a cadeia de decisões que resultou na aplicação dos R$ 117 milhões.
Dinheiro não pertence aos gestores
Renan destacou que os valores aplicados não pertencem à Prefeitura, ao prefeito, aos secretários ou aos dirigentes do instituto. São recursos destinados à manutenção do regime previdenciário e ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores municipais.
“Quem administra recursos públicos tem a obrigação de prestar contas, especialmente quando esse dinheiro se trata de dinheiro de aposentados e de pensionistas”, declarou.
A fala busca reforçar a responsabilidade dos agentes que participaram da análise, da recomendação e da autorização da operação.
Entre as perguntas que deverão ser feitas na comissão estão quais avaliações de risco foram produzidas, quais pareceres embasaram o investimento, como ocorreu a aprovação interna e quais providências estão sendo tomadas para preservar o patrimônio previdenciário.
A expectativa é de que os convidados sejam cobrados a apresentar documentos e esclarecer as circunstâncias em que os recursos foram direcionados aos títulos do Banco Master.
Renan critica tentativa de barrar investigação mais ampla
No vídeo, o senador também criticou as dificuldades para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito destinada a investigar amplamente o caso Banco Master.
Segundo Renan, enquanto alguns setores tentam impedir o avanço de uma CPI, a Comissão de Assuntos Econômicos está utilizando os instrumentos disponíveis para reunir informações e ouvir os responsáveis.
“Enquanto alguns tentam impedir uma investigação mais ampla, uma comissão parlamentar de inquérito, por exemplo, a CAE está cumprindo seu papel de fiscalizar, convocar autoridades e buscar todas as informações necessárias”, afirmou.
Com a declaração, Renan procura apresentar a CAE como uma alternativa institucional para impedir que as apurações fiquem paralisadas pela falta de instalação de uma CPI.
O caso do Iprev de Maceió passou a ocupar espaço específico nessa investigação em razão do elevado valor aplicado e da origem dos recursos, pertencentes ao sistema previdenciário municipal.
“Os ladrões serão colocados na cadeia”
O trecho mais duro do vídeo ocorreu quando Renan prometeu acompanhar o caso até o esclarecimento integral dos fatos e a responsabilização criminal de eventuais envolvidos.
“Eu vou seguir acompanhando esse caso até que todos os fatos sejam esclarecidos e os ladrões sejam colocados na cadeia”, afirmou.
O uso da palavra “ladrões” constitui uma acusação política feita pelo senador. A identificação de responsáveis e a eventual existência de crimes ainda dependem das investigações conduzidas pelas autoridades competentes, com garantia do direito de defesa.
Mesmo assim, a expressão evidencia uma mudança no tom adotado por Renan. O senador não se limitou a cobrar explicações administrativas ou informações técnicas sobre a aplicação. Passou a falar diretamente em dinheiro “surrupiado” e em prisão dos responsáveis.
A publicação aumenta a pressão sobre os antigos gestores do Iprev e sobre os integrantes da administração municipal que participaram ou tiveram conhecimento da operação.
Verdade não pode temer apuração
Renan encerrou o vídeo com uma frase dirigida aos que resistem ao aprofundamento das investigações:
“A verdade não pode temer investigação.”
A declaração transforma a audiência da CAE em um novo capítulo do caso. Mais do que repetir que houve uma aplicação de R$ 117 milhões no Banco Master, o senador sinaliza que pretende reconstruir todo o caminho percorrido pelo dinheiro.
A comissão deverá buscar saber quem propôs o investimento, quem analisou os riscos, quem assinou os documentos, quem autorizou a operação e quais medidas foram tomadas depois que surgiram os questionamentos sobre o banco.
Com o vídeo publicado no fim do dia, Renan deixou claro que a convocação não será tratada como uma audiência protocolar. O senador promete transformar a CAE em palco de cobrança direta aos responsáveis pela gestão do dinheiro dos aposentados e pensionistas de Maceió.