Lula pede mais ação de países ricos para reduzir desigualdades
Em discurso em Évian, na França, presidente afirmou que a solidariedade internacional encolhe diante dos desafios globais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta terça-feira (16) maior empenho dos países ricos na redução das desigualdades no mundo. A declaração foi feita em Évian, na França, durante a Cúpula do G7, que reúne as principais economias globais.
Segundo Lula, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. “Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo”, afirmou.
O presidente brasileiro participou do encontro como convidado. “Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, disse.
Crítica às guerras
Lula afirmou que, no ano passado, alertou que o Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% do financiamento. “A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%. Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento”, destacou.
Ao comentar os gastos militares anuais, o presidente lamentou que a soma tenha chegado a quase US$ 3 trilhões. “Não são cifras abstratas. Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento”.
De acordo com Lula, esses impactos atingem milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada, à educação e à saúde. “O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos”, afirmou.
Lula lembrou que, em 2003, uma de suas primeiras agendas como presidente foi participar da Cúpula do então G8. Desde aquele ano, ele esteve em outras nove cúpulas do G8 ou G7. “Em todas nos defrontamos com desafios que afetam milhões de pessoas. Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras”.
“Respostas falaciosas”
O presidente afirmou que prosperaram discursos em defesa da desregulamentação de mercados, do Estado mínimo e da austeridade como fins em si mesmos. “Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”.
Sem citar o nome do empresário Elon Musk, Lula disse que o primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.
“Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma assimétrica”.
Lula acrescentou ainda que a Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento apontou para o que seria a direção correta. “O desafio não é administrar a escassez. O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política”.