INVESTIGAÇÃO

Mendonça relata dúvida inicial sobre suicídio de Sicário sob custódia da PF

Ministro do STF afirmou que a hipótese de queima de arquivo foi investigada, mas a Polícia Federal aponta ato voluntário

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 19:18
André Mendonça Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que teve dificuldade para acreditar, inicialmente, que a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, tivesse sido um suicídio.

Em março, Mourão, apontado como executor de ações violentas contra adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, tirou a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais.

Segundo o ministro, investigadores chegaram a considerar a possibilidade de que o episódio tivesse relação com uma tentativa de impedir a produção de provas no âmbito da Operação Compliance Zero.

"Foi um choque para todos nós a morte do senhor Felipe Mourão, conhecido como Sicário. Me custou a acreditar que fosse um suicídio. Infelizmente, eu tive que ver a cena, uma cena dura, ver um ser humano tirando a própria vida", declarou Mendonça, relator do processo no STF.

Apesar da suspeita inicial, o ministro afirmou que as apurações indicam que a morte foi, de fato, um suicídio. "Mandamos investigar com a suspeita de que pudesse ser uma queima de arquivos, alguma coisa do tipo. Mas todos os indicativos até agora, da Polícia Federal, indicam que não foi isso. Foi um ato voluntário dele. As razões nós não sabemos ao certo", disse.

Sicário trabalhava para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na obtenção de informações sigilosas e em ações violentas voltadas a intimidar adversários do empresário.

Em um dos diálogos, o banqueiro relatou que estaria sendo ameaçado por uma funcionária e ordenou que Sicário "moesse essa vagabunda".

Em outra conversa pelo WhatsApp, Mourão se ofereceu para mobilizar "A Turma", estrutura usada para coleta de informações, com o objetivo de constranger um empregado que teria feito uma gravação indesejada de Vorcaro.

As mensagens também incluem troca de dados pessoais e pedidos para "levantar tudo" sobre dois funcionários, entre eles um chef de cozinha.