Mourão cobra ação do Estado brasileiro contra o crime organizado
Senador comentou a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Em discurso no Plenário nesta terça-feira (16), o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) analisou a situação da segurança pública no Brasil e as implicações da recente decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas que ameaçam a segurança nacional.
Segundo o parlamentar, o tema vai além de disputas partidárias, interesses eleitorais e divergências ideológicas.
— Antes de qualquer posicionamento apaixonado, é preciso reconhecer uma verdade incômoda: nenhum país estrangeiro toma uma decisão dessas por acaso. Os Estados Unidos, por óbvio, não agiram por acionamento da pessoa A ou B, mas a partir de seus próprios interesses estratégicos. Isso é o que fazem as nações minimamente organizadas. O que deveria nos preocupar não é apenas a decisão em si, mas as circunstâncias que permitiram que ela acontecesse — observou.
Para Mourão, a questão que o Brasil precisa enfrentar não é o que Washington pensa sobre as organizações criminosas nacionais, mas como elas passaram a ser vistas internacionalmente como uma ameaça transnacional.
O senador afirmou que, enquanto governo e parte da oposição se envolvem em mais uma disputa retórica, pessoas inocentes e policiais morrem diariamente, ao mesmo tempo em que o crime organizado avança. Na avaliação dele, o debate nacional passou a apresentar uma falsa escolha entre soberania e combate ao crime.
— Não existe soberania sem a autoridade do Estado. Não existe soberania quando facções controlam comunidades inteiras. Não existe soberania quando o dinheiro do crime se infiltra em setores da economia. Não existe soberania quando cidadãos honestos vivem sob o medo, enquanto criminosos exercem poder paralelo. A verdadeira ameaça à soberania nacional não nasceu lá em Washington. Ela nasce dentro das nossas fronteiras, quando o Estado perde a capacidade de impor a lei.
Mourão também disse que é necessário rejeitar simplificações perigosas e ressaltou que um governo estrangeiro não resolverá os problemas da segurança pública brasileira.
— Não haverá solução importada, não haverá atalhos, não haverá salvadores externos. A responsabilidade, senhoras e senhores, é nossa: é do Estado brasileiro, é do ausente governo federal, é dos estados e, sim, é também aqui do Congresso Nacional, e é, por derradeiro, da sociedade brasileira.