SUPREMO

Moraes rejeita diligências pedidas por Flávio Bolsonaro em inquérito sobre Lula

Senador é investigado desde abril por publicação em que associou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nicolás Maduro

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 16:46
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) © Foto / Rosinei Coutinho / STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou diligências solicitadas pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desde abril, o senador e pré-candidato à Presidência é investigado por ter associado Lula ao ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma publicação feita no X, antigo Twitter.

A defesa de Flávio Bolsonaro havia solicitado oitivas com nove pessoas. Entre os nomes estavam o próprio Lula, o senador Sérgio Moro (PL-PR), o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR), o marqueteiro João Santana, a líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, e um procurador dos Estados Unidos.

Os advogados do pré-candidato à Presidência também pediram a expedição de ofícios ao Ministério das Relações Exteriores e à Justiça dos Estados Unidos.

Na decisão, Moraes afirmou que os pedidos da defesa implicariam em "direcionamento" e "interferência" no inquérito, ao destacar que "não cabendo ao investigado pretender pautar a atividade investigativa".

Em janeiro deste ano, no mesmo dia em que Nicolás Maduro foi detido por uma operação militar dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro publicou no X que Lula seria "delatado". Na postagem, o senador relacionou o episódio ao "tráfico internacional de drogas e armas" e à "lavagem de dinheiro".

A Polícia Federal pediu a abertura de investigação contra o parlamentar. De acordo com a corporação, a publicação imputou "fatos criminosos" a Lula.

Moraes determinou a abertura da investigação em abril. Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que "a abertura deste inquérito configura uma tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar".