SUPREMO

Eduardo Bolsonaro pede retomada de sanções dos EUA contra Moraes antes de julgamento

Ex-deputado será julgado no STF por coação no curso do processo; ação será analisada pela Primeira Turma

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/06/2026 às 18:46
Eduardo Bolsonaro Reprodução / Instagram

Na véspera de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a pedir, pelas redes sociais, que o governo dos Estados Unidos restabeleça sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal.

Em publicação no X, Eduardo afirmou que o STF estaria se preparando para condená-lo como retaliação ao presidente Donald Trump. Segundo ele, “a retomada das sanções contra o violador de direitos humanos Alexandre de Moraes é necessária e urgente”.

“Não sei quem aconselhou a suspensão dessas sanções, mas fazê-lo foi, no mínimo, um grave erro. Moraes está esperando o retorno de uma administração Democrata radical aos Estados Unidos para que, juntos, possam fazer com vocês o mesmo que estão fazendo comigo hoje”, escreveu Eduardo, que mora nos EUA desde fevereiro de 2025.

Ele também questionou as acusações no processo. Para Eduardo, enquadrar suas articulações com integrantes do governo dos Estados Unidos como crime equivaleria a considerar membros da administração norte-americana integrantes de uma organização criminosa.

O julgamento do ex-deputado está marcado para esta terça-feira, 16. A Defensoria Pública da União, que representa Eduardo no processo após ele não indicar advogado particular, pediu ao Supremo que convocasse um ministro da Segunda Turma para participar do julgamento, já que a Primeira Turma está com uma cadeira vaga desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Moraes rejeitou o pedido e manteve a data prevista. A ação será analisada pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e pelo próprio Moraes.

Eduardo responde por coação no curso do processo no período que antecedeu o julgamento da trama golpista, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e interferir no andamento da ação contra seu pai.

A acusação sustenta que Eduardo buscou apoio do governo americano para impor medidas como sanções e tarifas ao Brasil em reação ao julgamento. Entre as medidas, estava a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, dispositivo que bloqueia bens e propriedades localizados no território americano e proíbe a entrada no país.

Eduardo foi citado no processo por edital, por meio de publicação oficial sobre a ação penal. Após a designação da Defensoria para sua defesa, foi marcada uma audiência de instrução, com interrogatório por videoconferência. Eduardo não compareceu ao depoimento.