Greve na TV e Rádio Justiça interrompe programação jornalística
Trabalhadores cobram salários atrasados, tíquete alimentação, FGTS e verbas rescisórias da Fundac, terceirizada vinculada às emissoras do STF
Profissionais da TV e da Rádio Justiça iniciaram nesta segunda-feira, 15, uma greve para cobrar o pagamento de valores devidos pela Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), empresa terceirizada responsável pela gestão das emissoras públicas vinculadas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Os funcionários da Fundac reivindicam a quitação de atrasos atrasados, tíquete de alimentação, dez meses de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e outros direitos trabalhistas, incluindo verbas rescisórias não pagas.
A mobilização é organizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal. A entidade não informou o número de grevistas, mas classificou a adesão como “histórica” e “abrangente”.
Questionado pelo Estadão sobre a possibilidade de a paralisação comprometer as ações de julgamento, o STF afirmou “estar organizado para manter as particularidades”. Os grevistas avaliam que funcionários da Fundac em cargas de chefia, que não aderiram ao movimento, deverão manter a veiculação das votações.
A greve atingiu principalmente o conteúdo jornalístico produzido pela TV e pela Rádio Justiça. Desde o início da manhã desta segunda-feira, a TV não exibe programação própria, que ocupa mais de 13 horas por dia. Para preencher a programação, os veículos reprisam reportagens antigas e específicas já realizadas, como a abertura de lançamento do Anuário da Justiça, ocorrida na última quarta-feira, 10.
O telejornal Justiça Agora , exibido diariamente às 8h na TV Justiça, não foi ao ar nesta segunda-feira. O mesmo deve ocorrer com o noticiário do meio-dia. “Nenhuma transmissão ao vivo tem condições de ir ao ar dada a extensão da mobilização”, informou o sindicato, sem confirmar, porém, se as sessões de seleção serão comprometidas.
Em julho de 2025, os funcionários das emissoras ameaçaram entrar em greve durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de membros do seu governo por envolvimento na trama golpista. Na ocasião, o STF ameaçou romper o contrato com a terceirizada, mas não propôs a medida.
A Fundac tem aproximadamente 160 funcionários. Na última quinta-feira, 11, 100 profissionais se reuniram com o secretário de Orçamento, Finanças e Contratações do STF, Márcio Kazuaki, para discutir medidas as obrigações pelo tribunal com o objetivo de cobrar da terceirizada a quitação das dívidas.
Segundo o sindicato, o STF se comprometeu na reunião a efetuar diretamente o pagamento dos trabalhadores e das verbas rescisórias dos profissionais contratados ao contrato de terceirização por posto de trabalho. A Corte afirma que há um fundo contratual destinado a cobrir esse tipo de obrigações em caso de inadimplência da empresa contratada.
A mesma medida não se aplica aos contratos de terceirização por demanda. O STF promete realizar um levantamento das notas fiscais pendentes de pagamento à Fundac e dos valores devidos a cada trabalhador.
Na última sexta-feira, 12, porém, a Fundac afirmou que os repasses devem ser feitos diretamente à instituição, posição que contraria a promessa do STF.
“Os profissionais querem a garantia de que o Supremo irá reservar os valores devidos à Fundac e destino-los diretamente ao pagamento das verbas rescisórias decorrentes da encerramento do contrato com a fundação, prevista para 31 de julho, já que houve clara omissão do STF na fiscalização da execução do contrato”, afirmou o sindicato em nota.
Os profissionais da Fundac já realizaram uma primeira paralisação em 2024, após 20 dias de atraso no pagamento dos atrasos e do vale-alimentação. Na ocasião, foram seis horas de interrupção da programação, o que ocorreu na não exibição do Jornal da Justiça - 2ª Edição . A mobilização levou o STF a aplicar multa à empresa e a promover reuniões com os trabalhadores.