SAÚDE

Comissão da Câmara aprova uso de ecocardiograma na avaliação de doadores de órgãos

Projeto segue em tramitação e ainda precisa passar por outras comissões antes de ser votado por Câmara e Senado

Por Câmara dos Deputados Publicado em 15/06/2026 às 11:44
Legenda não informada no material original. Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que prevê a realização de ecocardiograma em potenciais doadores de órgãos quando houver indicação clínica e condições técnicas disponíveis. Atualmente, a Lei de Transplantes determina que o doador passe por todos os testes de triagem para diagnóstico de infecção e infestação exigidos pelo Ministério da Saúde.

A proposta tem como objetivo auxiliar a decisão da equipe responsável, aumentar a segurança e melhorar o aproveitamento de órgãos, evitando perdas decorrentes de falhas na avaliação inicial. Segundo o autor do projeto, Dr. Zacharias Calil (MDB-GO), o ecocardiograma é fundamental nas primeiras horas após o diagnóstico de morte encefálica para não comprometer a saúde de quem receberá o órgão.

O texto aprovado permite que o exame seja feito presencialmente ou por telemedicina. A proposta também determina que os laudos sejam eletrônicos, com assinatura digital de médico habilitado, e que imagens e documentos sejam arquivados digitalmente, garantindo rastreabilidade e possibilitando auditorias.

O Ministério da Saúde poderá adotar medidas para ampliar, de forma progressiva, a oferta do procedimento no Sistema Nacional de Transplantes.

Foi aprovado o substitutivo do relator, deputado Osmar Terra (PL-RS), ao Projeto de Lei 2997/25. A versão original previa a obrigatoriedade do exame para todos os doadores.

Para o relator, essa exigência poderia criar dificuldades práticas em hospitais menores ou com menos recursos. Segundo Osmar Terra, a nova redação valoriza o exame “sem criar uma obrigação universal e imediata de difícil implementação”.

Depois da publicação final da lei, os estabelecimentos de saúde terão prazo de 30 dias para se adequar às novas regras.

Próximas etapas

A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

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