Laudo aponta R$ 75 milhões de fundo ligado a aliados de Eduardo em filme sobre Bolsonaro
Documento apresentado por produtora afirma que recursos de “Dark Horse” vieram do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos
A produtora responsável no Brasil pelo filme ficcional sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, Karina Ferreira Gama, apresentou um laudo pericial que declara gastos de R$ 75 milhões na produção de “Dark Horse”. Segundo o documento, a totalidade dos valores saiu de um fundo sediado nos Estados Unidos e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
O fundo é o Havengate, o mesmo que recebeu cerca de US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, em aportes do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os repasses foram solicitados pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O laudo pericial, revelado na sexta-feira, 12, pelo site Metrópoles, não informa quem foram os financiadores. Conforme dados já tornados públicos sobre os repasses determinados por Vorcaro, as informações indicam que os recursos do dono do Banco Master bancaram mais de 80% dos custos do filme.
De acordo com a perícia, a produção do longa no Brasil custou US$ 3,7 milhões, o equivalente a R$ 20,9 milhões. Já os custos nos Estados Unidos foram de US$ 9,6 milhões, ou R$ 54,2 milhões.
A defesa de Karina Gama encomendou o laudo para contestar suspeitas de um inquérito da Polícia Civil. A investigação apura se um contrato da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil teria sido desviado para abastecer a produção do filme. A ONG pertence a Karina.
O documento conclui que os recursos usados em “Dark Horse” tiveram origem privada e foram abastecidos pelo fundo Havengate, mas não detalha quem são os financiadores.
“Conforme apurado por esta perícia, o fundo Havengate Development Fund LP celebrou contrato em 24 de fevereiro de 2025 para investimento no filme Dark Horse. Até a data de elaboração deste laudo, o aporte realizado soma US$ 13.393.081,29”, diz o laudo.
Mensagens do celular de Daniel Vorcaro mostram que os pagamentos feitos por ele a pedido de Flávio tiveram como destino o fundo Havengate e somaram ao menos US$ 10,6 milhões. O fundo tinha como representante o escritório de Paulo Calixto, que também é advogado de Eduardo Bolsonaro.