SEGURANÇA PÚBLICA

Camilo Santana defende classificar PCC e CV como organizações terroristas

Senador do PT disse discordar das críticas do governo brasileiro à medida anunciada pelos Estados Unidos

Por Estadao Conteudo Publicado em 12/06/2026 às 11:36
Camilo Santana

O ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana (PT-CE) afirmou que não se opõe ao enquadramento de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

A posição contrasta com as obrigações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a decisão do governo dos Estados Unidos sobre a classificação das organizações criminosas.

"O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que há de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar", disse ao portal Metrópoles nesta quinta-feira, 11.

Segundo Camilo, ele informou ao presidente Lula sua discordância em relação às críticas feitas pelo governo brasileiro à medida anunciada pelas autoridades americanas. O ex-ministro também avaliou que os Estados Unidos podem colaborar com a proposta de cooperação internacional de Lula para enfrentar o crime organizado.

“Não podemos usar esse tema da segurança para fazer politicagem, como é feito lá no Ceará todos os dias pelo nosso adversário. É um desafio que precisa estar acima de qualquer questão partidária ou política”, afirmou, em referência indireta a Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Estado.

A classificação das facções como organizações terroristas tem sido defendida por lideranças de direita, entre elas o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Antes do anúncio oficial da medida pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ele visitou o presidente Donald Trump na Casa Branca e afirmou ter solicitado a adoção da classificação.

O governo brasileiro adotou um posicionamento diferente. Em nota divulgada em 29 de maio, o Executivo afirmou que as facções praticam "terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias", mas ressaltou que o combate a esses grupos é atribuição do Estado brasileiro e criticou a iniciativa americana por considerará-la uma questão ligada à soberania nacional.

O comunicado também reforça que o Brasil apresentou em abril, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta voltada à cooperação internacional para ampliar o controle sobre lavagem de dinheiro do crime organizado no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Em discurso no Senado na terça-feira, 9, Camilo elogiou a atuação do governo federal na área de segurança pública e pediu que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), apresentasse em votação a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Segurança. A proposta está paralisada no Senado há três meses.

"O Brasil sempre estará aberto à cooperação internacional no combate ao crime organizado: a cooperação entre as polícias, compartilhamento de inteligência, parcerias contra o tráfico internacional. Com diálogo e responsabilidade, nós atravessaremos esse momento com as ferramentas de uma democracia sólida", afirmou Santana.

Entre os principais pontos da proposta, aprovados na Câmara em março, estão o endurecimento penal contra faccionados e a blindagem dos Estados contra a influência da União para direcionar políticas públicas na área. A PEC também constitucionaliza o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), além de prever que cada ente federativo tenha seus próprios conselhos e políticas para o setor.