Nunes Marques prepara indicação de Frederico Franco Alvim para assessoria do TSE
Advogado e cientista político já comandou a área de enfrentamento à desinformação durante a gestão de Edson Fachin na Corte Eleitoral
Empossado há quase um mês como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques já definiu a maior parte dos nomes de sua equipe. Entre os poucos cargos ainda vagos está a chefia da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), para a qual o presidente pretende nomear o advogado e cientista político Frederico Franco Alvim.
Alvim é ligado ao atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Ele já esteve à frente da AEED entre fevereiro e agosto de 2022, período em que Fachin presidiu o TSE, mas deixou o posto após a posse do ministro Alexandre de Moraes na presidência da Corte Eleitoral.
Depois da saída de Alvim, a assessoria passou a ser comandada por Eduardo Tagliaferro, então homem de confiança de Moraes. Tagliaferro é réu no STF por violação do sigilo funcional, acusado de vazar trocas de mensagens que mostravam pedidos do ministro à AEED para subsidiar decisões no inquérito das fake news no Supremo.
Mesmo após deixar a chefia do órgão, Alvim permaneceu como assessor durante a gestão de Moraes, sob a liderança de Tagliaferro. Em 2023, ele saiu do TSE para atuar como assessor da Secretaria-Geral do STF na gestão do ex-ministro Luís Roberto Barroso.
O advogado e cientista político também atuou como assessor na Secretaria de Políticas Digitais do governo federal, em 2025. Em fevereiro deste ano, retornou ao STF para assumir o cargo de supervisor do Núcleo de Cultura Democrática e Cidadania Digital na gestão Fachin.
A função que Alvim deverá voltar a exercer no TSE ganhou mais projeção desde sua passagem anterior pelo cargo, no início de 2022. Na gestão de Alexandre de Moraes, a AEED passou a atuar na busca ativa de notícias falsas e, com base nesse trabalho, derrubou milhares de publicações e perfis nas redes sociais.
A atuação desenvolvida naquele período tornou a assessoria um órgão controverso. De um lado, recebeu elogios pela rigidez no combate à desinformação; de outro, foi alvo de críticas sob a acusação de funcionar como instrumento de perseguição à liberdade de expressão.
Alvim deve retornar à AEED em uma gestão que busca se distanciar do legado de Moraes na área de combate à desinformação. Nunes Marques tem sinalizado que pretende adotar uma postura menos intervencionista no enfrentamento às fake news e, segundo suas próprias palavras, de prestígio à liberdade de expressão.