POLÍTICA

Flávio Bolsonaro aciona STF e pede apuração contra Lula

Notícia-crime protocolada pelo senador aponta supostos crimes de ameaça e incitação ao crime após discurso do presidente em Catalão

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 16:42
Flávio Bolsonaro Reprodução / Instagram

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento, ele pede a abertura de inquérito para apurar se o presidente cometeu os crimes de ameaça e incitação ao crime.

Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou. O espaço está aberto.

O caso se refere a um discurso feito por Lula na última terça-feira, 2, durante a inauguração do campus Catalão do Instituto Federal Goiano. Na ocasião, o presidente chamou Flávio Bolsonaro de “vendilhão da pátria” e “traidor”.

A notícia-crime aponta como ameaça um trecho em que Lula afirmou: “por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso?”.

O documento também registra o equívoco histórico na fala do presidente. Joaquim Silvério dos Reis não foi enforcado por delatar os inconfidentes mineiros. Quem foi executado foi Tiradentes.

“Inverteu os papéis de sua própria parábola, atribuindo a quem ‘traiu’ o destino que, na realidade, coube a justamente a quem foi traído, confundindo o herói com o vilão da história. Talvez, tal confusão não ocorra somente na figura de linguagem utilizada, mas aconteça também na leitura que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz do atual cenário político brasileiro”, afirma a peça assinada pelo escritório Tracy Reinaldet Advogados Associados.

A notícia-crime também menciona a repercussão das falas nas redes sociais. Segundo os advogados, nas 24 horas seguintes ao discurso, foram identificadas na plataforma X mais de 1.600 postagens com supostas ameaças contra Flávio Bolsonaro e seus familiares. As publicações teriam usado termos como “matar”, “fuzilar”, “esfaquear” e “atentados”.

De acordo com o documento, outras 500 postagens continham ameaças veladas ou incitações à violência. O conjunto de publicações teria alcançado mais de 14 milhões de visualizações, 900 mil curtidas e quase 200 mil compartilhamentos.

A peça também contextualiza o episódio em um cenário de violência política no Brasil e no mundo. Os advogados citam casos recentes, como o assassinato do senador colombiano e pré-candidato à presidência Miguel Uribe Turbay, em junho de 2025, e o homicídio do ativista político norte-americano Charlie Kirk, em setembro de 2025.

O texto ainda menciona tentativas de assassinato contra o presidente Donald Trump, a vice-presidente argentina Cristina Kirchner e o então presidente eleito da Bolívia Luis Arce.

No cenário brasileiro, o documento cita que, entre janeiro de 2016 e setembro de 2020, 68 políticos foram assassinados e outros 57 sofreram algum tipo de atentado.

A defesa também destaca a tentativa de assassinato contra Jair Bolsonaro, pai do pré-candidato, esfaqueado durante ato de campanha em 2018. “O que, em outros contextos, poderia ser apenas figura de retórica, no presente caso é como fagulha lançada sobre palha seca”, diz o documento protocolado na última quinta-feira, 4.