Aluguel social no Minha Casa, Minha Vida avança em comissão da Câmara
Texto segue para análise da CCJ e precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado para virar lei
A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que inclui a modalidade de aluguel social no Programa Minha Casa, Minha Vida. A proposta busca oferecer uma alternativa de moradia para famílias sem condições financeiras de assumir um financiamento imobiliário de longo prazo.
O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Merlong Solano (PT-PI), ao Projeto de Lei 5663/16, de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), e a proposições apensadas. O colegiado rejeitou o substitutivo aprovado anteriormente pela Comissão de Desenvolvimento Urbano, que também previa o arrendamento. De acordo com Solano, esse ponto já é tratado pela legislação atual.
Recursos e formato
Conforme o texto aprovado, a locação social será voltada a famílias com renda bruta mensal enquadrada nas Faixas Urbano 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida. Pelas regras atuais do programa, esse limite contempla grupos familiares com renda total de até R$ 5 mil por mês.
"Ao vincular o custo da moradia à capacidade de pagamento das famílias, a locação social possibilita o acesso imediato à habitação digna sem a exigência de endividamento de longo prazo", argumentou Merlong Solano.
A proposta autoriza o financiamento da política com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).
As ações de aluguel social serão realizadas por dois mecanismos: construção ou requalificação, por meio de reforma, de imóveis urbanos; e aquisição de imóveis usados pelo gestor público.
O projeto também estabelece que a gestão dos aluguéis ficará a cargo da instituição que receber ou adquirir o imóvel construído com recursos do FAR.
Na prática, o fundo federal financia a estrutura e repassa o prédio para uma entidade, como uma prefeitura, uma companhia estadual de habitação ou uma empresa privada parceira.
A instituição escolhida poderá administrar as locações diretamente ou terceirizar o serviço, conforme regras que ainda serão definidas pelo Poder Executivo.
Impacto orçamentário
Segundo o relator, o projeto não gera gastos automáticos. O aluguel social só será implementado se houver recursos disponíveis no orçamento do governo federal a cada ano, sempre em conformidade com as regras de controle das contas públicas.
Próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.