INVESTIGAÇÃO

Prefeitura afasta gerente da SPTuris após apuração sobre vínculo com ONG

Controladoria-Geral do Município investiga suposta ligação de Rodrigo Raveli Bolzan com entidade vinculada à produtora do filme Dark Horse

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 11:31
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) Reprodução / Instagram

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou o afastamento de Rodrigo Raveli Bolzan do cargo de gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris). A medida foi tomada após a abertura de investigação pela Controladoria-Geral do Município (CGM).

De acordo com Nunes, a purificação busca clara uma suposta ligação de Bolzan com a ONG vinculada a Karina Ferreira da Gama, empresária responsável pela produtora do filme Dark Horse , sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Karina é investigada pela Polícia Civil por suspeita de fraudes.

"Identificando alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido. Se não houver ilegalidade, eu não vou carregar nas minhas costas nada que seja de um peso na consciência por cometer injustiça. Também não vou carregar nas minhas costas o peso de ser omisso, então está sendo apurado", afirmou o prefeito a jornalistas na terça-feira, 9, durante uma apresentação de instalações em uma UBS na zona sul da cidade.

A investigação foi instaurada depois que uma reportagem do portal Metrópoles apontou que uma rede de empresas e ONGs ligadas à produtora e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), também pertencente a Karina, ganhou espaço na Prefeitura após Raveli assumir o cargo.

Ao comentar o caso, Nunes destacou que Bolzan integra os quadros da agência desde 2005 e atuou como fiscal de oito contratos.

Como mostrou o Estadão, o Instituto Conhecer Brasil foi alvo de operação da Polícia Civil paulista no início do mês por suspeitas de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões. A polícia investiga fraude na licitação, fraude na execução do contrato e possível desvio de recursos públicos.

Além do contrato original, a Prefeitura fez aditivos que aumentaram para R$ 157,1 milhões os repasses à ONG. Segundo as autoridades, pelo menos R$ 26 milhões foram pagos “sem a efetiva prestação do serviço”.

As investigações também apuraram o repasse de R$ 1,3 milhão a uma empresa que tinha como um dos sócios um dirigente do próprio ICB. Os repasses ocorreram em convênio entre a ONG e a Prefeitura para a instalação de 5.000 pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda da capital paulista.

Procurada sobre os dois casos, a Prefeitura informou que o processo licitatório "segue rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade". Sobre a instalação dos pontos de wi-fi, afirmou que “análise jurídica realizada à época destes critérios previstos na legislação e não obrigações formais à parceria”.

A ONG também é cobrada na Justiça para devolver R$ 1,3 milhão referente a um patrocínio executado irregularmente em 2017, em ação movida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). O Sesi apontou uma série de erros na prestação de contas do patrocínio, incluindo a contratação de uma empresa de Brasília para realizar serviços na Bahia.