BENEFÍCIOS SOCIAIS

Presidência veta projeto sobre benefícios de trabalhadores safristas

Texto aprovado pelo Congresso previa que contratos temporários de safra não entrassem no cálculo de renda familiar para programas sociais.

Por Agência Senado Publicado em 11/06/2026 às 10:13
Presidência veta projeto que preservava benefícios sociais de trabalhadores safristas Nano Banana (Google Imagen)

A Presidência da República vetou integralmente o projeto que permitiria a trabalhadores safristas manter benefícios sociais, como o Bolsa Família, durante períodos de contratação temporária no campo. O veto foi publicado na edição desta quinta-feira (11) do Diário Oficial da União (DOU).

Aprovado em dezembro no Plenário do Senado, o PL 715/2023 estabelecia que a remuneração recebida em contratos de safra não fosse considerada no cálculo da renda familiar usado para concessão e manutenção de benefícios sociais. Com isso, trabalhadores contratados temporariamente para atividades como plantio e colheita poderiam aceitar o emprego sem risco de perder programas dos quais já fossem beneficiários.

O texto aprovado pelo Congresso também garantia o retorno ao Programa Bolsa Família para famílias que voltassem a cumprir os critérios de renda após o fim do contrato de safra.

A proposta previa ainda o registro dessas informações em campo específico do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), para permitir o compartilhamento de dados com os órgãos responsáveis pelas políticas sociais.

Razões

Na justificativa do veto, o governo afirmou que a proposta é inconstitucional e contrária ao interesse público. De acordo com a mensagem enviada ao Congresso, a medida criaria despesa obrigatória de caráter continuado sem estimativa de impacto orçamentário e financeiro, sem indicação da origem dos recursos para custeio e sem demonstração de compatibilidade com as metas fiscais previstas na legislação.

O projeto de lei é de autoria do deputado Zé Vitor (PL-MG). No Senado, a matéria teve como relator o senador Jaime Bagattoli (PL-RO), que defendia a medida como forma de estimular a formalização do trabalho temporário no campo e reduzir a escassez de mão de obra em atividades sazonais da agropecuária.

O veto total ainda será analisado em sessão conjunta do Congresso Nacional. Deputados e senadores poderão manter ou rejeitar a decisão presidencial. Se o veto for derrubado, o texto aprovado pelo Legislativo poderá ser promulgado. Caso seja mantido, a proposta será arquivada definitivamente.