INVESTIGAÇÃO NO PIAUÍ

Prefeito alvo de operação da PF é autuado por posse ilegal de arma

Pistola e munições foram encontradas durante ação que apura fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos da saúde

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 21:42
O prefeito de Sebastião Barros (PI), Pablo Carvalho Reprodução / Instagram

A Polícia Federal encontrou uma pistola e munições ilegais de calibre .380 na casa do prefeito de Sebastião Barros (PI), Pablo Carvalho, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão. A diligência integra uma investigação sobre desvios de verbas da saúde em municípios do interior do Piauí. O material localizado resultou na prisão em flagrante do gestor.

A ação fez parte da Operação Expansão de Domínio, deflagrada nesta quarta-feira, 10, pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apura fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo uma empresa fornecedora de materiais hospitalares e odontológicos com contratos em prefeituras piauienses.

De acordo com o delegado Yure Saulo, titular da Delegacia Seccional de Corrente, responsável pelo município de Sebastião Barros, que tem cerca de 3 mil habitantes, o prefeito foi conduzido por policiais federais até a unidade após a localização da arma e das munições. Segundo o delegado, a autuação ficou restrita ao crime de posse ilegal.

A fiança foi fixada em 40 salários mínimos, valor equivalente a cerca de R$ 64 mil. Após o pagamento, Pablo Carvalho foi liberado.

Nas redes sociais, o prefeito afirmou que colaborou com as autoridades desde o início da ação e disse que permanece à disposição da Justiça. O gestor negou ter conhecimento de qualquer irregularidade relacionada às licitações investigadas e declarou que todos os procedimentos administrativos foram conduzidos dentro da legalidade.

Carvalho também atribuiu a origem da investigação a motivações políticas. Segundo ele, a denúncia que deu início às apurações da Polícia Federal partiu da oposição ao governo e do ex-vereador Geraldo Corado, falecido em 2024 durante a apuração do resultado das eleições de Sebastião Barros.

Ao todo, a operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão e afastou cautelarmente três agentes públicos nos municípios de Sebastião Barros, São Braz do Piauí, Bela Vista do Piauí, Corrente e São Raimundo Nonato. A Justiça Federal também suspendeu os contratos da empresa investigada com o poder público e proibiu a celebração de novos acordos enquanto durarem as investigações.

Segundo a Polícia Federal e a CGU, as apurações identificaram indícios de direcionamento de contratações públicas e de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos para favorecer a empresa em licitações e na execução de contratos administrativos. A investigação também aponta que a empresa fornecia veículos a gestores municipais em locais onde atuava.