Agenda legislativa sobre direitos femininos é apresentada no Congresso
Documento elaborado pelo Grupo Mulheres do Brasil reúne propostas em tramitação na Câmara e no Senado
A Agenda Legislativa Mulheres do Brasil, documento que reúne propostas em tramitação na Câmara e no Senado consideradas prioritárias para o avanço dos direitos femininos, foi apresentada nesta quarta-feira (10), durante sessão solene promovida pelo Congresso Nacional.
O documento foi elaborado pelo Grupo Mulheres do Brasil, criado em 2013 e atualmente formado por mais de 140 mil integrantes.
A sessão ocorreu no Plenário do Senado e foi solicitada pelas senadoras Daniella Ribeiro (PP-PB) e Professora Dorinha Seabra (União-TO), além da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ).
Dorinha conduziu a cerimônia e afirmou que a agenda representa demandas de mulheres de diferentes realidades. A senadora também destacou a importância da participação feminina nos espaços de decisão.
— Nós representamos milhares de mulheres, muitas inclusive invisibilizadas e silenciadas. Temos voz, temos voto e temos direitos. Um país só é justo quando homens e mulheres são igualmente respeitados, atendidos e representados — declarou ela.
Sete eixos
De acordo com o Grupo Mulheres do Brasil, a agenda tem o objetivo de contribuir para o processo legislativo e aprimorar políticas públicas voltadas às mulheres.
O documento foi elaborado a partir da análise de projetos de lei em tramitação no Congresso e das prioridades identificadas pelos núcleos da entidade espalhados pelo país. O texto está organizado em sete eixos temáticos.
— Nenhum dos eixos apresentados na agenda pode ser negligenciado. Não haverá verdadeira transformação democrática sem que todos eles se concretizem — ressaltou Dorinha.
Violência e segurança jurídica
Ao apoiar a iniciativa, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu que políticas de proteção às mulheres, incluindo ações de prevenção à violência, sejam transformadas em leis permanentes para garantir maior segurança jurídica.
— Temos de construir uma legislação sobre a proteção da mulher vítima de violência. Não pode ser tão somente uma portaria, um decreto ou uma resolução. Precisamos perpetuar os direitos e a proteção das mulheres — disse ela.
Damares também chamou atenção para o aumento da violência política de gênero, especialmente em ambientes digitais e durante os períodos eleitorais.
— Precisamos ocupar esses espaços, mas muitas mulheres desistem por causa da violência política de gênero. Com o advento da inteligência artificial, a situação se tornou ainda mais preocupante — frisou ela.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) afirmou que a igualdade entre homens e mulheres prevista na Constituição ainda não se reflete plenamente na realidade brasileira. Ele defendeu o compromisso permanente do Estado e da sociedade no combate à violência contra as mulheres.
— Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Isso tem de ser uma realidade; não pode ser uma letra da lei. Eu me envergonho quando temos índices elevados de feminicídio no Brasil — lamentou o senador, que prestou homenagem às vítimas de feminicídio.