DISPUTA PRESIDENCIAL

Renan Santos defende diálogo com Caiado e critica apoio a Flávio Bolsonaro

Pré-candidato afirmou que pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostra viabilidade eleitoral e buscou aproximação com investidores em São Paulo

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 12:57
Renan Santos (Partido Missão) Reprodução / Instagram

O pré-candidato à presidência Renan Santos (Missão) indicou que está aberto a alianças com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil) e avaliou que uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 10, reforça suas orientações eleitorais. Durante evento com investidores, em São Paulo, ele também fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Votar no Flávio é votar em bandido”, afirmou.

Renan relatou o escândalo ao senador e disse não ver meio-termo na avaliação sobre o adversário. Segundo ele, apoiar Flávio Bolsonaro seria uma escolha incompatível com o que considera aceitável na política. “Como eu digo, o Flávio Bolsonaro não pode ver um cara envolvido num escândalo, ele vê um esquema e fala: ‘por favor, me incluindo’. Não existe meio gângster”, declarou.

O presidente afirmou que está disposto a negociar com outros nomes da direita, especialmente Caiado. Ele lembrou que já atuou ao lado do ex-governador em momentos decisivos, como no impeachment de Dilma Rousseff (PT), e avaliou que a parceria teve resultado. “A última vez que trabalhei com o Caiado, a gente derrubou o PT”, disse.

Renan também afirmou que não descartou conversas com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), mas criticou o que chamou de “submissão ao bolsonarismo”.

Apesar da sinalização para alianças, o pré-candidato disse que ainda precisa “se provar” eleitoralmente antes de avançar nas negociações. Ao comentar os dados da pesquisa divulgada nesta quarta-feira, ele afirmou acreditar que pode superar os concorrentes.

Levantamento Genial/Quaest aponta que, no cenário estimulado de primeiro turno, Renan aparece com 3% das intenções de voto. Ele é técnico empatado com Caiado, que também tem 3%, e com os deputados federais Aécio Neves (PSDB) e Zema, ambos com 2%. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderou com 39%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 29%.

Ao avaliar a pesquisa, Renan argumentou que tem menor participação de adversários como Flávio Bolsonaro e maior potencial de crescimento, impulsionado pela militância e pelo engajamento nas redes sociais.

O pré-candidato também criticou a postura do mercado financeiro, especialmente a chamada Faria Lima. Para ele, o setor passou a atuar como força política nos últimos anos e errou ao apoiar o bolsonarismo no passado, o que, em sua avaliação, contribuiu para a volta do presidente Lula.

Renan disse, no entanto, perceber a mudança de postura entre os agentes do mercado. Segundo ele, parte do setor estaria evitando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e buscando alternativas fora da polarização entre petismo e bolsonarismo. O pré-candidato afirmou ainda que, nos últimos meses, conseguiu reduzir o que chamou de resistência ao seu nome no mercado financeiro.

A percepção foi compartilhada pelos participantes do evento promovido pela Genial Investimentos. Nossos bastidores, empresários e investidores ouvidos pela reportagem apontaram “maior musculatura e amadurecimento” na pré-candidatura de Renan desde o início da campanha.

Ao mesmo tempo, os participantes disseram ressalvas em relação ao senador Flávio Bolsonaro. Entre os episódios relatados está a divulgação de um áudio em que ele aparece em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse , que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A leitura é de que a campanha do senador continua desgaste à medida que novos fatos vêm à tona, somados ao histórico de polêmicas, como o caso das "rachadinhas" quando ele exerceu o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.