EDUCAÇÃO

Países de língua portuguesa discutem cooperação para garantir acesso à escola

Audiência pública na Comissão de Educação e Cultura reuniu representantes da sociedade civil e de órgãos do governo para tratar de desafios comuns na área educacional

Por Agência Senado Publicado em 10/06/2026 às 12:21
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Especialistas defenderam, nesta quarta-feira (10), o fortalecimento da cooperação entre países de língua portuguesa como caminho para ampliar a efetivação do direito à educação. O debate ocorreu em audiência pública da Comissão de Educação e Cultura (CE).

A reunião foi conduzida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que destacou a presença de representantes da Rede Lusófona pelo Direito à Educação (ReLus), coalizão internacional da sociedade civil formada por entidades de países lusófonos. Segundo ele, embora o português seja falado por cerca de 260 milhões de pessoas em quatro continentes, os países que integram a rede enfrentam dificuldades semelhantes para garantir o acesso e a permanência de estudantes na escola.

— Refiro-me, especialmente, às desigualdades sociais e econômicas que limitam o acesso e a permanência de nossas crianças na escola — afirmou.

A coordenadora-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, ressaltou a importância da troca de experiências entre as organizações da ReLus. A rede reúne entidades de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Para ela, a articulação entre os países pode contribuir para a promoção do direito à educação e de outros direitos humanos.

— Temos muitos desafios comuns e podemos colaborar com as nossas experiências nesse trabalho — disse.

Ao apresentar programas de internacionalização da educação, o chefe da Divisão de Cooperação Educacional do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Edison Luiz da Rosa Junior, afirmou que a educação é um instrumento relevante da política externa brasileira e do desenvolvimento compartilhado entre países parceiros.

— Nós brasileiros também aprendemos muito na cooperação educacional com os estudantes que vêm para cá, com os professores que vêm para cá, com os técnicos educacionais que vêm para cá — afirmou.

Articulação parlamentar

Durante a audiência, participantes também defenderam a criação de mecanismos permanentes de diálogo entre parlamentos e organizações da sociedade civil. Uma das propostas discutidas foi a formação de uma rede de parlamentares da lusofonia para acompanhar e promover políticas públicas na área da educação.

O coordenador da Rede Nacional da Campanha de Educação para Todos, de Cabo Verde, Abraão Borges, afirmou que a articulação institucional pode ampliar a capacidade de atuação conjunta dos países de língua portuguesa.

— Acreditamos que a cooperação entre os países de língua portuguesa pode fortalecer a construção de políticas públicas mais justas e eficazes (...) — declarou.

Representante da Guiné-Bissau, Victor Rodrigues também defendeu o diálogo entre sociedade civil e parlamentos. Segundo ele, o intercâmbio de conhecimentos entre países em diferentes estágios de desenvolvimento pode ajudar no enfrentamento de desafios comuns na educação.

— Há países com grandes avanços e há países ainda que estão embaixo. É necessário compartilhar para poder atingir o objetivo conjunto — afirmou.

Também participaram da audiência representantes dos Ministérios da Educação e das Relações Exteriores, além de integrantes de organizações da sociedade civil de Angola e Moçambique.