TRAIDOR DA PÁTRIA

Após Visita aos EUA, filhos de Bolsonaro spoiam ataque do governo Trump ao pix brasileiro

Eduardo Bolsonaro defende negociação com EUA e cita Zelle, o sistema de pagamentos instantâneos americano

Por Redação Publicado em 04/06/2026 às 12:03

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro voltou a provocar repercussão nas redes sociais ao defender uma aproximação do Brasil com os Estados Unidos em meio às discussões envolvendo o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil e considerado um dos maiores casos de sucesso da inovação financeira nacional.

Em vídeo divulgado nesta semana, Eduardo afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos semelhantes ao Pix, citando o sistema Zelle, amplamente utilizado por bancos norte-americanos para transferências eletrônicas instantâneas.

Segundo o parlamentar, o Brasil deveria buscar uma mesa de negociação com os norte-americanos para tratar de questões econômicas e comerciais de interesse comum.

"Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle. Dá para sentar e negociar. Eles têm interesses onde as nossas economias se complementam", afirmou.

A declaração ocorre em um momento de tensão política envolvendo críticas e questionamentos de setores ligados ao governo norte-americano sobre o modelo regulatório do Pix e o avanço do sistema brasileiro no mercado de pagamentos digitais.

O tema ganhou ainda mais repercussão após visitas realizadas aos Estados Unidos por Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os encontros incluíram interlocutores próximos ao presidente norte-americano Donald Trump e integrantes do campo conservador americano.

Pix tornou-se referência internacional

Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix transformou a forma como os brasileiros realizam pagamentos, transferências e recebimentos de valores.

Atualmente, o sistema movimenta trilhões de reais por ano e é apontado por especialistas como um dos mais avançados do mundo em termos de inclusão financeira e velocidade operacional.

Diferentemente do Pix, o Zelle não é um sistema público administrado pelo banco central americano. Trata-se de uma plataforma privada criada por um consórcio de grandes bancos dos Estados Unidos.

Embora seja amplamente utilizado naquele país, pesquisas de mercado indicam que seu nível de popularidade e penetração entre a população não alcança o mesmo grau de universalização observado no Brasil com o Pix.

Críticas e reações

As declarações de Eduardo Bolsonaro geraram reações nas redes sociais e entre especialistas em economia e tecnologia financeira.

Críticos afirmam que o Pix se consolidou justamente por oferecer uma infraestrutura pública, gratuita para pessoas físicas e acessível a instituições financeiras de diferentes portes, enquanto o modelo americano é mais fragmentado e dependente da atuação dos bancos privados.

Também houve questionamentos sobre o fato de Eduardo Bolsonaro defender o sistema norte-americano em meio às recentes críticas vindas dos Estados Unidos contra uma das principais ferramentas de modernização do sistema financeiro brasileiro.

Aliados do governo federal interpretaram a fala como mais um episódio da aproximação política do grupo bolsonarista com setores da administração Trump, enquanto apoiadores do deputado afirmam que ele apenas defendeu uma agenda de negociação comercial e diplomática entre os dois países.

Debate ultrapassa a tecnologia

Mais do que uma discussão sobre meios de pagamento, o episódio ampliou o debate sobre soberania tecnológica, autonomia financeira e os interesses geopolíticos envolvidos na disputa por mercados digitais.

Para especialistas, o sucesso do Pix acabou transformando o Brasil em referência mundial no setor de pagamentos instantâneos, colocando o país no centro de discussões que vão além da tecnologia e alcançam áreas estratégicas da economia global.

Enquanto isso, o sistema brasileiro segue crescendo e ampliando funcionalidades, incluindo integrações com crédito, parcelamentos, pagamentos automáticos e novas modalidades previstas pelo Banco Central para os próximos anos.