JHC exibe apoio de Edival Gaia Filho e reacende debate sobre alianças com nomes ligados à Operação Taturana, entre eles Celso Luiz
Pré-candidato ao Governo de Alagoas destaca apoio de ex-deputado que esteve envolvido no contexto político da Operação Taturana e que, nos últimos meses, ficou marcado pela proposta para mudar o nome de Palmeira dos Índios
O pré-candidato ao Governo de Alagoas, João Henrique Caldas, o JHC, dedicou uma publicação nesta quarta-feira (3) em seu Instagram ao apoio recebido de Edival Gaia Filho, ex-deputado estadual e figura política ligada às cidades de Igaci e Palmeira dos Índios.
A postagem, no entanto, reacendeu críticas sobre o perfil das alianças que JHC vem tentando reunir em sua pré-campanha. Para adversários, o movimento revela uma tentativa de ajuntamento de antigas lideranças afastadas da vida pública pelo próprio eleitor, sem mandato, sem protagonismo recente e com pouca capacidade de agregar força eleitoral real ao projeto tucano.
Edival Gaia Filho não ocupa mandato eletivo e está há anos distante do centro das decisões políticas de Alagoas. Nas últimas disputas eleitorais, não conseguiu retomar espaço de destaque, acumulando derrotas e perdendo presença efetiva no cenário político estadual.
Seu nome também remete ao período da Operação Taturana, um dos maiores escândalos envolvendo a Assembleia Legislativa de Alagoas nos anos 2000. A operação investigou desvios milionários dos cofres públicos e atingiu diversos parlamentares da época, tornando-se uma marca negativa na história política do Estado.
Ele figurou como um dos réus nas ações de improbidade administrativa e processos criminais movidos pelo Ministério Público de Alagoas. Ele e outros parlamentares chegaram a ser alvo de sentenças condenatórias em primeira instância que determinaram a devolução de verbas aos cofres públicos.
Nos últimos tempos, uma das poucas aparições públicas de maior repercussão de Edival Gaia Filho ocorreu em Palmeira dos Índios, quando ele defendeu, durante reunião pública contra a demarcação indígena, a mudança do nome do município. A proposta foi amplamente rechaçada pela sociedade palmeirense, que reagiu em defesa da identidade histórica, cultural da cidade.
A iniciativa não prosperou e acabou gerando desgaste. Para muitos moradores, a tentativa de alterar o nome de Palmeira dos Índios ignorava a memória do município e sua ligação direta com a presença dos povos originários, elemento central da formação histórica local.
Ao destacar o apoio de Edival Gaia Filho, JHC trouxe para sua vitrine eleitoral um nome que, segundo críticos, já não representa força política expressiva e carrega um histórico de controvérsias. A adesão soma-se a outros apoios de figuras afastadas do protagonismo político, levantando dúvidas sobre a real capacidade de expansão da pré-candidatura no interior.
JHC renunciou ao mandato de prefeito de Maceió para disputar a próxima eleição e busca construir uma base estadual. No entanto, os apoios anunciados até agora vêm sendo questionados justamente pelo baixo peso eleitoral de algumas lideranças apresentadas como reforços.
A estratégia, para opositores, pode produzir mais desgaste do que crescimento. Afinal, em uma eleição estadual, não basta colecionar fotografias e declarações de apoio: é preciso demonstrar densidade política, capilaridade eleitoral e capacidade de mobilização popular.
No caso de Edival Gaia Filho, a principal pergunta que fica é se o apoio efetivamente soma votos ou apenas reacende lembranças incômodas se escândalos da política alagoana.