POLÍTICA | SEGURANÇA PÚBLICA

Ataque infundado de JHC contra Paulo Dantas acaba constrangendo Alfredo Gaspar, de quem ele quer apoio e voto

Ao tentar desqualificar os avanços da segurança pública em Alagoas, ex-prefeito de Maceió atinge indiretamente Alfredo Gaspar, que foi secretário de Segurança no governo Renan Filho e participou do ciclo de redução da violência no Estado

Por Redação Publicado em 02/06/2026 às 22:02
JHC mirou Paulo Dantas, errou e acertou Gaspar; crítica infundada e falta de conhecimento de Alagoas

O ataque de JHC ao governador Paulo Dantas sobre a segurança pública em Alagoas produziu um efeito político inesperado: ao tentar atingir o atual chefe do Executivo estadual, o ex-prefeito de Maceió acabou criando um constrangimento indireto para Alfredo Gaspar, justamente uma das lideranças de quem ele tenta se aproximar em busca de apoio político e voto nas eleições de 2026.

Em publicação nas redes sociais, JHC afirmou que Paulo Dantas teria “vestido uma fantasia de xerife” e disse que Alagoas estaria “entregue à bandidagem”. A crítica, no entanto, esbarra em um detalhe político incômodo para o próprio campo oposicionista: Alfredo Gaspar foi secretário de Segurança Pública no governo Renan Filho e teve participação direta em parte do ciclo de enfrentamento à violência que reduziu os índices criminais do Estado nos últimos anos.

Ou seja: ao tentar desqualificar a política de segurança pública conduzida pelo grupo de Renan Filho e Paulo Dantas, JHC acaba atingindo, por tabela, o próprio Alfredo Gaspar.

É o tipo de ataque que parece não ter sido calculado até o fim.

Alfredo Gaspar não foi um observador distante da segurança pública em Alagoas. Ele comandou a área em passagens pelo governo Renan Filho, participou de balanços oficiais, esteve à frente de ações de combate à criminalidade e construiu parte de sua imagem pública justamente sobre o discurso da firmeza contra o crime. Portanto, se JHC tenta vender a ideia de que os últimos anos foram de omissão, ele também joga sombra sobre a atuação de Alfredo no comando da pasta.

A contradição é evidente.



JHC quer o apoio político de Alfredo Gaspar, mas ataca o ciclo administrativo do qual Alfredo fez parte. Quer o voto do eleitorado ligado à pauta da segurança, mas ignora que um dos nomes mais identificados com essa pauta no campo da direita alagoana participou do governo Renan Filho. Quer usar a violência como bandeira eleitoral, mas apaga a trajetória de redução construída ao longo dos últimos 12 anos, inclusive com a participação de quem ele pretende ter como aliado.

Na prática, JHC mirou Paulo Dantas e constrangeu Alfredo Gaspar.

O ponto central não é negar que Alagoas ainda enfrente graves problemas na segurança pública. O Estado continua tendo desafios importantes, como o combate às facções, ao tráfico de drogas, aos homicídios, aos assaltos e à sensação de insegurança em bairros e municípios do interior. Nenhum governo pode tratar a segurança como missão cumprida.

Mas uma coisa é cobrar mais resultados. Outra, bem diferente, é tentar apagar a série histórica de queda da violência para construir uma narrativa eleitoral.

Foi justamente isso que Paulo Dantas explorou ao responder JHC. O governador lembrou que Alagoas derrubou a criminalidade desde 2013 e resgatou o período em que o Estado figurava entre os mais violentos do país. A resposta deslocou o debate para a comparação histórica e expôs a fragilidade da crítica do ex-prefeito de Maceió.

A pergunta que fica para JHC é simples: se tudo foi omissão, qual foi o papel de Alfredo Gaspar quando comandou a Segurança Pública no governo Renan Filho?

Essa é a saia justa.

Se JHC disser que houve fracasso no ciclo de segurança iniciado no governo Renan Filho, terá que incluir Alfredo Gaspar nessa conta. Se reconhecer que houve avanços, sua crítica contra Paulo Dantas perde força e passa a parecer apenas uma peça de marketing eleitoral, feita para gerar impacto nas redes sociais, mas sem consistência diante dos fatos.

A situação revela também a dificuldade de JHC em organizar um discurso estadual coerente. Ao sair do ambiente político de Maceió e tentar se apresentar como alternativa para governar Alagoas, ele precisa demonstrar domínio dos temas estruturantes do Estado. Segurança pública não se debate com frase pronta, nem com postagem de efeito. Exige memória administrativa, conhecimento da série histórica e responsabilidade com os dados.

O problema é que JHC parece apostar mais no ruído do que na precisão.

Ao atacar Paulo Dantas de forma genérica, ele acaba atingindo também Renan Filho e Alfredo Gaspar. E isso cria um problema político para quem tenta costurar alianças. Afinal, não é possível pedir apoio a Alfredo Gaspar e, ao mesmo tempo, desqualificar o período em que ele esteve à frente da Segurança Pública.



A crítica, por isso, soa infundada e politicamente desastrada. Infundada porque ignora os indicadores de redução da violência registrados em Alagoas ao longo dos últimos anos. Desastrada porque constrange um aliado em potencial, cuja biografia pública está diretamente ligada à mesma política de segurança que JHC tenta atacar.

Nos bastidores, a leitura é de que o ex-prefeito de Maceió entrou em um terreno que não domina completamente. Acostumado a operar politicamente a partir da capital, JHC agora tenta falar para todo o Estado, mas demonstra dificuldade em compreender a complexidade dos municípios, das políticas públicas estaduais e das alianças que pretende formar.

Alagoas não cabe em uma postagem.

O Estado tem história, números, gestores, secretários, comandantes, investimentos, operações e resultados que atravessam mais de uma gestão. Paulo Dantas governa hoje, mas a política de segurança que reduziu a violência começou antes, no governo Renan Filho, e contou com a participação de nomes que hoje estão em campos políticos diferentes, inclusive Alfredo Gaspar.

É justamente isso que torna o ataque de JHC tão contraditório.

Na tentativa de atingir Paulo Dantas, ele acabou abrindo uma ferida dentro da própria oposição. Porque Alfredo Gaspar, de quem JHC quer apoio e voto, não pode ser retirado da história da segurança pública de Alagoas. Ele fez parte dela. E fez parte no governo Renan Filho.

No fim, o episódio mostra que, em política, nem todo disparo atinge apenas o alvo escolhido. Às vezes, o ataque ricocheteia. E, nesse caso, o ataque infundado de JHC contra Paulo Dantas acabou constrangendo Alfredo Gaspar.