POLÍTICA

É factoide do clã Bolsonaro para desviar do caso Master, diz Alckmin

Política, Geraldo Alckmim, Trump, PCC, CV, narcoterrorismo, EUA

Publicado em 29/05/2026 às 15:52

Ao comentar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, o vice-presidente Geraldo Alckmin avaliou que se trata de fato da família Bolsonaro para desviar a atenção do caso de corrupção e sonegação do Banco Master .

"Infelizmente, membros do grupo Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, ficam gerando factoides", disse à imprensa, nesta quinta-feira (29), durante agenda em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo.

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O vice-presidente informou que a medida “não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”.

Na noite desta quinta-feira (28), os Estados Unidos anunciaram que passaram a designar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. 

O anúncio coincidiu com um encontro entre o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ocorrido na terça-feira (26), em Washington. Um dia antes, o senador havia se reunido com Trump na Casa Branca, em companhia do irmão, o autoexilado ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Reportagens do portal The Intercept Brasil  ex postaram mensagens de áudio de Flávio Bolsonaro enviadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pedindo-lhe dinheiro para pagar parte dos custos de produção da cinebiografia de seu pai. De acordo com o portal, o banqueiro teria acordado destinar R$ 134 milhões à produção, dos quais ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente liberados. 

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Neste novo mandato, o governo de Donald Trump vem reorientando a política externa de Washington em relação à América Latina, direcionando sua máquina de guerra para a região sob uma justificativa de combate o que chama de "narcoterrorismo"

Ao longo dos últimos meses, as forças militares dos EUA bombardearam diretamente diversas embarcações no Caribe, fora da jurisdição norte-americana, sob alegação de combate ao terrorismo.

A própria invasão do território venezuelano, no início do ano, que resultou na deposição e captura do então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, também foi justificada com base no combate ao narcoterrorismo.

O alcance de ações semelhantes em território brasileiro, com base nesta nova designação , apesar de incerto, torna-se um risco real.