POLÍTICA

Edinho diz que recusa de Pacheco criou 'problema' para o PT e que vai a MG conversar com Kalil

Publicado em 29/05/2026 às 15:08
Edinho Silva Evandro Macedo / LIDE

O presidente do PT, Edinho Silva, viaja para Minas Gerais neste sábado, 30, para discutir a situação do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado. Além de conversas com partidos aliados, está na agenda uma reunião com o pré-candidato a governador Alexandre Kalil (PDT) para discutir a possibilidade de ele reeditar a aliança que fez com Lula em 2022.

O presidente está oficialmente sem candidato em Minas após o senador Rodrigo Pacheco (PSB) declarar nesta sexta-feira, 29, que aceitou o convite do presidente para assumir uma tarefa. A negativa de Pacheco já era dada desde a semana passada, mas ele ainda não havia falado em público sobre o tema.

“O declínio da candidatura de Rodrigo Pacheco gerou um problema para nós, evidente, porque acreditávamos na candidatura dele”, disse Edinho a jornalistas nesta sexta-feira, 29, após participar em São Paulo do lançamento da plataforma digital por meio da qual a sociedade civil poderá submeter sugestões e propostas para o plano de governo de Lula.

"Vou me encontrar com o Kalil em Belo Horizonte. Quero saber o que ele está pensando e qual a leitura política dele", afirmou Edinho, acrescentando que o objetivo é construir uma ampla aliança eleitoral para vencer a disputa pelo governo estadual e dar robustez à campanha de Lula no Estado.

O presidente do PT também comentou sobre outros nomes cotados para encabeçar a chapa de Lula no Estado. Ele afirmou que a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) é pré-candidata a senadora e que qualquer mudança de tática eleitoral ocorrerá pelo PT mineiro.

Edinho também está disposto a conversar com o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), cujo nome passou a ser cotado por uma ala do PT nos últimos dias. "Queremos conversar com o MDB em todos os Estados do Brasil. Se o Gabriel quiser dialogar conosco, vamos dialogar", afirmou.

Nos discursos no evento, o assunto mais abordado foi a necessidade de defesa da soberania do Brasil após os Estados Unidos serem classificadas como facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. A medida foi anunciada dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Planalto, ao presidente americano, Donald Trump.

"Eu acho que vai impactar, em primeiro lugar, os amigos de quem foi fazer esse tipo de proposta. Aqueles que estão envolvidos no crime organizado e que são de conhecimento de vocês todos da mídia. Esses serão os mais impactados com certeza. Agora, para cuidar dos problemas de segurança do Brasil, quem cuida é o Brasil", disse a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede).

Pré-candidata ao Senado por São Paulo, ela afirmou que o objetivo é fechar a chapa de Fernando Haddad (PT) até a primeira semana de junho. Como mostrou o Estadão, Lula disse aos aliados que deseja que o também pré-candidato ao Senado Márcio França seja vice na chapa.

Edinho também criticou a atitude dos EUA e declarou preocupação que a medida afeta o sistema financeiro e as empresas brasileiras.

"Mais uma vez a família Bolsonaro, em vez de defender os interesses do povo brasileiro, está defendendo os interesses americanos", disse, relembrando a tarifaço imposta pelo governo Trump no ano passado após atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) com o governo americano.

A plataforma para submissões e propostas para o plano de governo petista ficará aberta até dia 30 de junho. Após esses dados, as fundações partidárias das siglas que apoiam a reeleição do presidente consolidarão um documento com as principais sugestões.

O texto, por fim, será apresentado aos partidos, que decidirão quais medidas serão incluídas no plano de governo submetido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).