IMÓVEIS E POLÍTICA

Fundo ligado a advogado de Eduardo Bolsonaro compra casa em cidade onde ele reside nos EUA

Aquisição em Arlington, Texas, foi feita por fundo gerido por aliados do ex-deputado; valor do imóvel ultrapassa US$ 700 mil.

Publicado em 16/05/2026 às 15:13
Eduardo Bolsonaro Reprodução / Instagram

Um fundo vinculado ao advogado Paulo Calixto, responsável técnico pela imigração de Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos, e administrado pelo ex-secretário nacional de Cultura André Porciuncula, aliado da família Bolsonaro, adquiriu em fevereiro deste ano uma casa em Arlington, no Texas, mesma cidade onde Eduardo reside.

A transação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão por meio de registros de imóveis no Texas e dados de imobiliárias locais. O responsável pela compra foi o fundo Mercury Legacy Trust, listado como membro da Calixsan Capital Management, empresa de gestão de capital pertencente a Calixto.

Procurado pela reportagem, Eduardo Bolsonaro não respondeu até a publicação. Paulo Calixto também não retornou aos contatos. Já André Porciuncula afirmou que a questão "não tem nada a ver com Eduardo, fundo ou qualquer coisa relacionada ao filme 'Dark Horse'". "Eduardo nunca morou ou usou essa casa. Calixto foi apenas o advogado que montou a estrutura jurídica", disse o ex-secretário.

O Mercury Legacy Trust está sob gestão de Porciuncula e Juliana Lima de Andrade, conforme documento de venda do imóvel. A transação, do antigo proprietário para o fundo ligado a Calixto e gerido por Porciuncula, foi concluída em 27 de fevereiro deste ano. Juliana Lima de Andrade não foi localizada, mas o espaço segue aberto para manifestação.

De acordo com uma imobiliária local, o valor estimado da casa varia entre US$ 708 mil e US$ 789 mil. O imóvel possui quatro quartos, três banheiros, cozinha, sala e duas vagas de estacionamento.

Pelas regras de imigração dos EUA, Eduardo Bolsonaro não pode exercer atividade remunerada. O ex-deputado cassado afirma viver no país, onde está há mais de um ano, com doações, principalmente do pai, Jair Bolsonaro.

Esse contexto gerou suspeitas de que Eduardo poderia ter sido beneficiado por repasses de terceiros no Brasil. O site Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência, cobrou e recebeu mais de US$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias pelo Banco Master.

O dinheiro arrecadado com Vorcaro foi destinado ao fundo Havengate Development Fund, administrado por Calixto sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Em nota, a produtora Go Up Entertainment e o produtor executivo Mário Frias (PL-SP) negaram inicialmente ter recebido recursos de Vorcaro para a produção. Posteriormente, Frias ajustou o discurso após ser contrariado por Flávio.

A Polícia Federal irá investigar se os pagamentos de Vorcaro, a pedido de Flávio, foram repassados a Eduardo para custear sua estadia nos EUA. O ex-deputado mudou-se para o país com o objetivo de fazer lobby para que autoridades americanas pressionassem o Judiciário e o governo brasileiro contra a prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e pela anistia aos envolvidos.