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Valdemar mantém apoio a Ciro Nogueira no palanque de Flávio Bolsonaro, apesar de investigações

Presidente do PL defende direito de defesa do senador, alvo da PF por suspeita de corrupção ligada ao Banco Master.

Publicado em 12/05/2026 às 17:27
Valdemar da Costa Neto-, presidente do PL Reprodução

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta terça-feira (12) que a legenda deseja manter o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque ao lado do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ). A declaração ocorre após operação da Polícia Federal (PF) apontar que o senador teria recebido vantagens indevidas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Questionado se o PL ainda apoia Ciro no palanque de Flávio, Valdemar respondeu: "Hoje ainda queremos. Até que se prove alguma coisa contra ele. Se provarem alguma coisa contra ele, a conversa muda. Temos que dar o direito de defesa a ele", afirmou em entrevista à CNN Brasil.

Figura central do Centrão, Ciro Nogueira foi ministro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tornou-se o primeiro congressista a ser oficialmente investigado pela PF nas apurações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master.

No dia 7 de maio, o senador foi alvo de busca e apreensão em mais uma fase da Operação Compliance Zero. A PF encontrou, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, diálogos com o senador e ordens para pagamentos a uma pessoa identificada como "Ciro".

Segundo as investigações, Nogueira enviou ao Senado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) supostamente para favorecer interesses do banco. Em mensagens localizadas no aparelho de Vorcaro, o banqueiro teria comentado que a emenda apresentada pelo parlamentar "saiu exatamente como mandei".

De acordo com a PF, o texto apresentado por Ciro Nogueira coincide "de forma integral" com o material preparado pela assessoria do Banco Master. As mensagens apontam que Vorcaro determinou que o texto fosse entregue em envelope no endereço do senador.

A PEC tratava do regime jurídico do Banco Central e propunha aumentar o limite de cobertura individual do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

A medida favoreceria diretamente o Banco Master, já que a instituição utilizou a captação de recursos de pessoas físicas por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para impulsionar seu patrimônio. No entanto, a emenda não foi aprovada.

Para a PF, as ações de Ciro Nogueira demonstram iniciativas concretas para tentar beneficiar Vorcaro no Senado em troca de pagamentos indevidos, o que pode configurar corrupção.

Os investigadores afirmam que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil do banqueiro, valor que, segundo apurações, poderia ter chegado a R$ 500 mil.

Além disso, a PF aponta que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de arcar com hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.

Entre os gastos citados estão estadias no Park Hyatt New York, refeições em restaurantes sofisticados e despesas atribuídas ao parlamentar e sua acompanhante. A investigação menciona ainda a oferta de um cartão para custear gastos pessoais.

A defesa do presidente do PP afirma que ele "não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados" e que as medidas tomadas pela investigação "podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade". Nesta segunda-feira (11), o escritório de Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) deixou a defesa do senador.