Valdemar mantém apoio a Ciro Nogueira no palanque de Flávio Bolsonaro, apesar de investigações
Presidente do PL defende direito de defesa do senador, alvo da PF por suspeita de corrupção ligada ao Banco Master.
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta terça-feira (12) que a legenda deseja manter o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque ao lado do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ). A declaração ocorre após operação da Polícia Federal (PF) apontar que o senador teria recebido vantagens indevidas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Questionado se o PL ainda apoia Ciro no palanque de Flávio, Valdemar respondeu: "Hoje ainda queremos. Até que se prove alguma coisa contra ele. Se provarem alguma coisa contra ele, a conversa muda. Temos que dar o direito de defesa a ele", afirmou em entrevista à CNN Brasil.
Figura central do Centrão, Ciro Nogueira foi ministro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tornou-se o primeiro congressista a ser oficialmente investigado pela PF nas apurações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master.
No dia 7 de maio, o senador foi alvo de busca e apreensão em mais uma fase da Operação Compliance Zero. A PF encontrou, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, diálogos com o senador e ordens para pagamentos a uma pessoa identificada como "Ciro".
Segundo as investigações, Nogueira enviou ao Senado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) supostamente para favorecer interesses do banco. Em mensagens localizadas no aparelho de Vorcaro, o banqueiro teria comentado que a emenda apresentada pelo parlamentar "saiu exatamente como mandei".
De acordo com a PF, o texto apresentado por Ciro Nogueira coincide "de forma integral" com o material preparado pela assessoria do Banco Master. As mensagens apontam que Vorcaro determinou que o texto fosse entregue em envelope no endereço do senador.
A PEC tratava do regime jurídico do Banco Central e propunha aumentar o limite de cobertura individual do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A medida favoreceria diretamente o Banco Master, já que a instituição utilizou a captação de recursos de pessoas físicas por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para impulsionar seu patrimônio. No entanto, a emenda não foi aprovada.
Para a PF, as ações de Ciro Nogueira demonstram iniciativas concretas para tentar beneficiar Vorcaro no Senado em troca de pagamentos indevidos, o que pode configurar corrupção.
Os investigadores afirmam que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil do banqueiro, valor que, segundo apurações, poderia ter chegado a R$ 500 mil.
Além disso, a PF aponta que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de arcar com hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.
Entre os gastos citados estão estadias no Park Hyatt New York, refeições em restaurantes sofisticados e despesas atribuídas ao parlamentar e sua acompanhante. A investigação menciona ainda a oferta de um cartão para custear gastos pessoais.
A defesa do presidente do PP afirma que ele "não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados" e que as medidas tomadas pela investigação "podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade". Nesta segunda-feira (11), o escritório de Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) deixou a defesa do senador.