CASO BANCO MASTER

Renan denuncia “fraude brutal” contra aposentados do IPREV de Maceió

Na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, parlamentar afirma que Maceió foi a única capital a aplicar recursos em letras financeiras do Banco Master e cobra explicações sobre a relação da Prefeitura com o BRB

Por Vladimir Barros Publicado em 12/05/2026 às 14:49
Maceió não é massa, é masterr: Renan aponta “negociata” com dinheiro da previdência de Maceió Agência Senado

O senador Renan Calheiros elevou o tom, nesta terça-feira (12), na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ao tratar do escândalo do Banco Master e de seus reflexos em Maceió. Em discurso contundente, o parlamentar afirmou que aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió foram vítimas de uma “negociata” envolvendo recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais e classificou o episódio como uma “fraude brutal”.

Segundo Renan, Maceió aparece em posição singular no caso por ter feito aplicações em letras financeiras do Banco Master. O senador afirmou que a capital alagoana foi “a única capital” a aportar recursos nesse tipo de operação e destacou o volume de R$ 117 milhões, valor que vem sendo citado no debate político local.

“Maceió é a única capital que fez aporte em letras financeiras do Master. É a única capital. É o município com maior volume: R$ 117 milhões”, afirmou o senador na CAE.

A fala amplia a pressão sobre a Prefeitura de Maceió e recoloca no centro do debate o destino dos recursos previdenciários dos servidores municipais. Reportagens anteriores apontaram que o Iprev Maceió tinha cerca de R$ 97 milhões aplicados em letras financeiras do Banco Master, de acordo com levantamento do Ministério da Previdência Social. O mesmo levantamento informou que 18 regimes próprios de previdência estaduais e municipais aplicaram R$ 1,867 bilhão no banco entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, exclusivamente em letras financeiras, instrumento sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

O valor de R$ 117 milhões, citado por Renan, também já havia sido mencionado em discussão na Câmara de Maceió. O ex-prefeito e vereador Rui Palmeira cobrou explicações sobre o investimento e afirmou que os valores aplicados chegariam a esse patamar, acima do número informado oficialmente pelo Ministério da Previdência.

Renan também associou o caso Master a outra operação envolvendo a gestão municipal: a folha de pagamento dos servidores da Prefeitura de Maceió, hoje vinculada ao Banco de Brasília, o BRB. Segundo o senador, a Prefeitura teria feito um “combo” ao aplicar recursos no Master e, em seguida, negociar a folha de pessoal com o BRB.

“Soube também que, no combo, no pacote, a Prefeitura de Maceió ainda vendeu ao Banco de Brasília a folha de pessoal. Ao BRB. Então é uma coisa gravíssima sob qualquer aspecto”, declarou.

A ligação entre o Master e o BRB é um dos pontos que passaram a ser observados no escândalo. Reportagem do Movimento Econômico registrou que o BRB assumiu a folha de pagamento dos servidores da Prefeitura de Maceió e que o primeiro pagamento sob gestão do banco ocorreu em outubro de 2025. A mesma publicação destacou que o BRB estava em processo de aquisição do Banco Master, por meio da subsidiária BRB Card, o que ampliou a atenção sobre a operação.

Na CAE, Renan manifestou solidariedade aos aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió. Para o senador, eles são as principais vítimas de uma operação que colocou recursos previdenciários em risco.

“Minha solidariedade, portanto, aos aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió, vítimas dessa negociata, dessa fraude brutal, do Instituto de Previdência dos servidores, através da Prefeitura de Maceió, com o Banco Master, na sequência com o BRB”, afirmou.

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado tem acompanhado o caso Master desde o início do ano. Em fevereiro, Renan defendeu acesso irrestrito da CAE às investigações sobre o banco e afirmou que a fiscalização do sistema financeiro é competência permanente da comissão. Na ocasião, o Senado informou que a CAE criou um grupo de trabalho para acompanhar as apurações sobre a liquidação do Banco Master.

Em abril, Renan apresentou requerimentos para obter informações sobre operações envolvendo o BRB e possíveis conexões com a crise do Banco Master. Um dos pedidos foi direcionado ao Tribunal de Contas da União e outro ao próprio BRB. O requerimento ao banco solicitou dados dos últimos oito anos sobre operações com entes públicos, incluindo contratos com fundos de previdência de servidores estaduais e municipais, aquisição de folhas de pagamento, uso de depósitos judiciais e outras operações vinculadas a estados e municípios.

A ofensiva do senador transforma o caso em uma pauta de repercussão nacional e local. Nacionalmente, o Banco Master está sob investigação e se tornou alvo de questionamentos sobre regulação, fiscalização e possíveis conexões políticas. Em Maceió, o episódio atinge diretamente a previdência dos servidores municipais e levanta dúvidas sobre quem autorizou as aplicações, quais pareceres embasaram as decisões e que medidas estão sendo adotadas para resguardar os recursos.

O Maceió Previdência já havia informado, em nota citada pela imprensa, que os pagamentos a aposentados e pensionistas estavam garantidos. Segundo a nota, à época das aplicações o banco estava habilitado no Banco Central e no Ministério da Previdência, com grau de investimento atribuído por agência de risco.

Apesar da manifestação oficial, o discurso de Renan na CAE reacende uma cobrança central: se os recursos pertencem aos servidores, aposentados e pensionistas, quem responderá pela decisão de colocá-los em uma operação hoje cercada de suspeitas?

O senador não tratou o caso como um simples erro de investimento. Ao falar em “fraude brutal” e “negociata”, Renan colocou o episódio em outro patamar político. Para ele, a aplicação dos recursos do Iprev Maceió no Banco Master e a relação posterior com o BRB precisam ser investigadas de forma profunda.

O escândalo, agora, deixa de ser apenas uma crise bancária distante de Brasília. Em Alagoas, tem endereço, valor e vítimas potenciais: os servidores municipais de Maceió, especialmente aposentados e pensionistas que dependem da solidez do regime previdenciário.

A fala de Renan na Comissão de Assuntos Econômicos aumenta a pressão por transparência. A pergunta que permanece é direta: por que Maceió entrou nessa operação, quem se beneficiou dela e quem será responsabilizado caso o dinheiro dos servidores tenha sido colocado em risco?