Gleisi vê rejeição a Messias como chance para indicação de mulher ao STF
Deputada federal afirma que derrota de Messias no Senado abre espaço para ampliar representatividade feminina na Corte.
A deputada federal e ex-ministra da Articulação Política do governo Lula, Gleisi Hoffmann (PT-PR), declarou nesta quinta-feira (30) que a inclusão ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) representa uma oportunidade para debater a indicação de uma mulher à Corte.
“Acho que essa é uma oportunidade para a gente fazer esse debate, essa discussão”, afirmou Gleisi ao ser questionada se a exclusão de Messias cria possibilidade de indicar uma mulher para a vaga.
A declaração foi dada ao final da sessão do Congresso que derrubou o veto presidencial ao PL da Dosimetria, em votações nas duas Casas. Foi a segunda derrota do governo Lula em dois dias consecutivos.
Indagada se a traição a Messias teria sido resultado de falhas na articulação política, Gleisi respondeu: "Com a traição que tivemos, não tem articulação que dê conta".
Na noite de quarta-feira (29), o Senado rejeitou o nome do advogado-geral da União, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. O cartaz foi de 34 votos elaborados e 42 contrários; Messias precisou de ao menos 41 votos para ser aprovado.
O resultado, marcado por traições dentro da base governamental, representou uma derrota histórica para Lula. Há 132 anos, desde 1894, o Senado não barrava um indicado do presidente ao Supremo.
Entre aliados de Lula, cresce a defesa para que o presidente indique agora uma mulher à vaga no STF. A medida poderia ampliar a representatividade feminina na Corte e, ao mesmo tempo, transferir eventual ônus de nova coligada ao senador Davi Alcolumbre, apontado como articulador da derrota de Messias, diante de uma pressão popular maior pela acessibilidade de uma candidatura mulher.