'Sabemos quem fez isso', diz Messias após rejeição de seu nome para STF no Senado
Primeiro indicado ao STF rejeitado em mais de um século, Jorge Messias desabafa após votação e agradece a Lula e apoiadores.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, tornou-se o primeiro indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitado pelo Senado em 132 anos. Em coletiva nesta quarta-feira, 29, Messias chegou com a voz embargada, acompanhado de colegas do governo, para comentar a derrota histórica sofrida ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre palavras de fé e propósito, ele demonstrou certo ressentimento: "Nós sabemos quem promoveu tudo isso" .
"Passei por cinco meses de um processo de desconstrução da minha imagem. Toda sorte de mentira para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso. Agora, quero dizer para vocês de coração leve, com a franqueza da minha alma, sou grato a Deus por ter passado por esse processo e sou grato pela confiança que o presidente Lula depositou em mim", afirmou, sem citar nomes dos responsáveis pelos ataques.
Messias foi alvo do descontentamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após Lula optar por não indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) ao Supremo, contrariando interesses dos colegas. O chefe do Executivo anunciou Messias em novembro do ano passado, mas apenas formalizou o envio do nome ao Senado em abril, em meio a uma "guerra fria" com Alcolumbre, que ameaçava rejeitar a indicação nos bastidores.
Quase um mês depois da oficialização, o plenário do Senado rejeitou o nome de Messias por 42 votos a 34, em meio à celebração de senadores bolsonaristas e à renovação de Alcolumbre. Uma hora e meia após o resultado, Messias agradeceu a Deus e aos parlamentares que apoiaram sua candidatura.
"Nós temos que aceitar. O Senado é soberano. agradecer os votos que recebemos. Faz parte do processo democrático saber ganhar e saber perder", declarou. “Hoje estamos diante de um processo que tem um grande significado. Não é simples para alguém com a minha trajetória passar por uma reprovação”, acrescentou.
Apesar da frustração expressa na frase “sabemos quem fez isso” , Messias afirmou não ter “nada a falar, nem a reparar, acerca da conduta de ninguém”. Ele foi destacado ter sido recebido "de forma generosa" por 78 dos 81 senadores. "Eu cumpri o meu propósito e as pessoas precisam entender que, às vezes, as respostas que nós nos confrontamos não são aquelas que desejamos. Mas são as respostas dadas e temos que aceitar o resultado. Lutei o bom combate", avaliou.
Messias também afirmou que a exclusão não representa "o fim", pois sua trajetória continuará. Ele lembrou ser servidor público de carreira e disse que não precisa de carga pública. Ao final da coletiva, o ministro declarou-se "tranquilo, em paz e leve", mas demonstrou emoção ao agradecimento pelas orações de seus "irmãos".
A candidatura de Messias, que é evangélica, conta com o apoio público de pastores e líderes de diferentes denominações. O ministro André Mendonça, do STF, também manifestou apoio e escreveu, após a exclusão, que o país perdeu um grande ministro.