ELEIÇÕES 2026

PT aprova manifesto com diretrizes para eleições de 2026 e faz aceno ao centro

Documento prioriza comparação entre gestões Lula e Bolsonaro, evita polêmicas e inclui reformas para ampliar diálogo político.

Publicado em 26/04/2026 às 14:54
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva © Foto / Palácio do Planalto / Ricardo Stuckert

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo, 26, o manifesto com as diretrizes para as próximas eleições. O documento destaca a comparação entre a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de apresentar um plano para um eventual quarto mandato de Lula.

O presidente Lula não participou do congresso, como estava inicialmente previsto, pois se recupera de procedimentos de saúde realizados na última quinta-feira, 23, em São Paulo. Para contornar sua ausência, o PT exibiu um discurso gravado de Lula durante um encontro global de líderes progressistas em Barcelona, realizado na semana anterior. No evento, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, sentou-se ao lado do presidente do PT, Edinho Silva.

O manifesto foi aprovado por unanimidade pelos militantes presentes e apresenta um texto mais enxuto do que o programa partidário, evitando temas polêmicos. O programa detalhado ainda será discutido nas próximas semanas pelo diretório nacional do partido. Entre os pontos retirados do manifesto está a defesa de uma reforma do sistema financeiro, que havia sido sugerida após o escândalo envolvendo o Banco Master.

Outros pontos foram mantidos, como os três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento: reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, retomada do crescimento econômico com distribuição de renda e transição produtiva, tecnológica e ambiental, sendo este último enfatizado desde a campanha de 2022.

O texto define como "eixo central da tática política" a reeleição do presidente Lula e propõe sete reformas essenciais. Inicialmente, constavam a reforma política e eleitoral, tributária, tecnológica, do Judiciário e administrativa. No domingo, foram acrescentadas a reforma agrária, "garantindo soberania alimentar", e a reforma do setor de comunicação, "garantindo o cumprimento da Constituição, que proíbe monopólios no setor".

Também permanece a defesa de uma "permanente transição geracional" no partido, limitando o número de mandatos (no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância). A versão final prevê ainda a garantia de "no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação", avanço em relação à proposta inicial, que não mencionava renovação interna nem equidade de gênero.

Segundo o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, o objetivo do manifesto é "chamar o centro para compor com o Lula", evitando polêmicas que possam afastar setores fora da esquerda da candidatura petista. "O manifesto tem de ser a centralidade de falar com o País e chamar o centro para compor com o Lula, isso que é fundamental", afirmou Guimarães na chegada ao congresso.

Lula participou ativamente da elaboração do manifesto, especialmente na sexta-feira, 24, assim como o Palácio do Planalto. Partiu do governo, por exemplo, a orientação para que o texto reforçasse as comparações entre os governos Lula e Bolsonaro e deixasse de fora a proposta de reforma do sistema financeiro.

Em vídeo exibido no congresso, Lula ressaltou que o partido deve "prometer as coisas que temos facilidade e possibilidade de fazer" em seu programa, sinalizando a necessidade de evitar promessas polêmicas ou de difícil execução.