LEVANTAMENTO DIGITAL

Briga com Gilmar impulsiona Zema nas redes sociais, aponta análise

Consultoria revela que embate com ministro do STF fez pré-candidato do Novo disparar em seguidores e engajamento online.

Publicado em 25/04/2026 às 14:43
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) Reprodução / Agência Brasil

A disputa pública entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e o ex-governador mineiro Romeu Zema nesta semana foi verificada em um expressivo aumento da visibilidade do pré-candidato à presidência pelo Partido Novo nas redes sociais. Segundo levantamento da consultoria Bites, especializada em análise de dados, Zema conquistou mais de 494 mil novos seguidores no período.

Em comparação, outros pré-candidatos tiveram um crescimento bem menor em suas bases digitais: Renan dos Santos (Missão) somou 129 mil seguidores, o senador Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 114 mil, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve alta de 39 mil. Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), registrou o menor avanço, com apenas 1.900 novos seguidores.

O destaque, segundo a Bites, não é o engajamento gerado por Zema. As interações com suas publicações no Facebook, Instagram e X atingiram 7,7 milhões na semana, superando Lula (3,9 milhões), Flávio Bolsonaro (3,7 milhões), Renan dos Santos (1,3 milhão) e Ronaldo Caiado (104 mil).

O diretor executivo da Bites, Manoel Fernandes , avalia que esse nível de engajamento em curto espaço de tempo é raro e pode motivar outros pré-candidatos a adotar ataques ao STF como estratégia eleitoral para ampliar sua presença digital.

Histórico

O conflito entre Zema e o STF começou quando o ex-governador publicou um vídeo intitulado "Os intocáveis". No material, dois fantoches representando Dias Toffoli e Gilmar Mendes dialogam de forma irônica e caricata, simulando pedidos de anulação de quebras de sigilo e favores relacionados ao resort Tayayá, do qual Toffoli era acionista. A cena termina com Toffoli em trajes de lazer aproveitando o resort.

Em resposta, Gilmar Mendes solicitou que o vídeo fosse incluído no inquérito das Fake News, sob condução do ministro Alexandre de Moraes, e pediu investigação sobre Zema, alegando que o conteúdo atingiu o ministro a honra e a imagem do STF e de suas sugestões ao sugerir trocas de favores inexistentes.

Zema, então, intensificou as críticas ao STF, publicando pelo menos 14 vídeos por semana, nos quais arrancou o que chamou de "farra dos intocáveis". O episódio consolidou sua pré-candidatura à presidência e reduziu a pressão interna do Partido Novo para que ele fosse vice de Flávio Bolsonaro.

Gilmar Mendes, por sua vez, concedeu entrevistas defendendo sua posição e denunciando supostos ataques orquestrados ao Supremo. Em uma das declarações, ao comentar possíveis caricaturas, fez uma fala considerada homofóbica ao citar a hipótese de um boneco de Zema homossexual, pelo que depois pediu desculpas diante da repercussão negativa.

O episódio também motivou o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, a um pedido protocolar de impeachment contra Gilmar Mendes por sua atuação no caso.

Segundo análise de Bites, “a resposta de Gilmar Mendes ao STF acabou conferindo a Zema a legitimidade que seus críticos buscavam nesse conflito institucional”. Para a consultoria, Zema transformou o debate em ativo político e em relevância tração digital.