Áudio de Ronaldo Lessa, futuro vice de JHC, revela a mãe Eudócia na chapa e só uma vaga ao Senado em aberto; ouça
Gravação revela articulação para chapa com Eudócia ao Senado e levanta dúvida pela última vaga da chapa de JHC entre nomes postulantes ao senado
Um áudio atribuído ao vice-governador Ronaldo Lessa, que circula nos bastidores políticos, revela detalhes da articulação que o levou a aceitar o convite para compor como vice na possível chapa do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), nas eleições de outubro.
Na gravação, Lessa descreve o processo de decisão que o fez abrir mão de uma eventual candidatura ao Senado para assumir, mais uma vez, o papel de vice. Segundo ele, a proposta partiu diretamente de JHC, que teria manifestado preferência por tê-lo ao seu lado na composição majoritária.
“Eu preferia que você viesse ser meu vice”, relata Lessa ao reproduzir a fala de JHC no áudio. A partir daí, o desenho da chapa começa a ganhar contornos mais claros.
Senado fora do radar
Lessa afirma que chegou a cogitar disputar o Senado, apostando em um cenário de votos dispersos. No entanto, recuou ao avaliar a força política e estrutural dos concorrentes já postos.
“Com as condições que tem hoje, o Renan, o Arthur, o dinheiro, o orçamento… era uma doidice”, diz no trecho da gravação.
A leitura exposta no áudio reforça o cenário de forte concentração de forças na disputa senatorial, o que teria inviabilizado uma candidatura competitiva fora dos grandes grupos políticos.
Chapa familiar e espaço em aberto
O ponto mais sensível da gravação, porém, é a confirmação de que JHC mantém a estratégia de colocar sua mãe, a senadora Eudócia Caldas, como candidata à reeleição ao Senado.
Eudócia assumiu o mandato há cerca de dois anos, após a saída de Rodrigo Cunha, que deixou o Senado para disputar a vice-prefeitura de Maceió ao lado do próprio JHC — movimento que já indicava uma articulação política de longo prazo.
Com isso, o desenho da chapa majoritária ganha forma: JHC como candidato ao governo, Ronaldo Lessa como vice e Eudócia disputando uma das vagas ao Senado.
Resta, portanto, apenas uma vaga senatorial em aberto.
Disputa interna
A indefinição sobre quem ocupará esse espaço amplia a disputa dentro do campo político de JHC. Entre os nomes cotados nos bastidores estão figuras de peso, como Arthur Lira, Davi Davino e Alfredo Gaspar - todos com capital político e bases eleitorais relevantes.
A escolha não é trivial. Trata-se de uma decisão estratégica que pode influenciar diretamente a viabilidade eleitoral da chapa, considerando alianças, tempo de televisão, estrutura de campanha e capilaridade no interior do estado.
Decisão sem ruptura
No áudio, Lessa faz questão de destacar que sua saída do grupo anterior não ocorreu em tom de rompimento. Segundo ele, não houve conflito direto, embora admita insatisfação com o espaço político que ocupava.
“Não saí brigado. Não deu o espaço que a gente queria, mas não me sacaneou”, afirma.
A fala sugere um movimento mais pragmático do que ideológico - reforçando a leitura de que as articulações em curso seguem a lógica tradicional da política: composição, viabilidade e posicionamento no tabuleiro eleitoral.
Tabuleiro aberto
O vazamento do áudio expõe não apenas a decisão pessoal de Ronaldo Lessa, mas também a engenharia política em torno da pré-candidatura de JHC.
Com a chapa praticamente desenhada e uma vaga estratégica ainda em disputa, o cenário segue aberto — e deve se intensificar à medida que os principais atores definirem seus posicionamentos para a eleição.
Nos bastidores, a pergunta agora é direta: quem será o nome escolhido para fechar a chapa política de JHC?
Ouça o áudio