Gilmar Mendes defende continuidade do inquérito das fake news até as eleições
Ministro do STF afirma que investigação é necessária diante de ataques à Corte e cita importância de manter apurações até o pleito de 2024.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes defendeu nesta quarta-feira, 22, a manutenção do inquérito das fake news pelo menos até as eleições deste ano. Segundo o ministro, a investigação permanece relevante diante dos recorrentes ataques à Corte.
"Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e ele vai acabar quando terminar, é preciso que isso seja dito em alto e bom som. O tribunal tem sido vilipendiado, veja por exemplo a coragem, eu diria a covardia, do relator da CPI do Crime Organizado de atacar a Corte, pedir indiciamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crimes. Isto pode ser deixado assim? Acho que não, é preciso que haja resposta", afirmou em entrevista ao Jornal da Globo, da TV Globo.
Gilmar Mendes se referiu ao relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que pediu o indiciamento do próprio ministro, além dos colegas Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostas ações e omissões no caso Master. O parecer foi rejeitado pela comissão.
"Acho que foi um momento importante do Supremo ter aberto o inquérito e de mantê-lo pelo menos até as eleições, acho que é relevante", completou.
O inquérito das fake news é uma investigação sigilosa, instaurada para apurar ataques contra o STF, seus integrantes e ameaças à independência do Poder Judiciário e ao Estado de Direito.
Completando sete anos no mês passado, o inquérito, conforme destacou o Estadão, tem funcionado como um instrumento do Supremo para se proteger e reagir a investidas externas.
Entre suas controvérsias estão a instauração de ofício pelo ministro Dias Toffoli, então presidente da Corte, a escolha do relator pelo presidente do STF, o sigilo não flexibilizado e a condução por um juiz, o ministro Alexandre de Moraes, em vez de um delegado.
Durante a entrevista, Gilmar Mendes também comentou o embate com o ex-governador mineiro e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo).
O ministro solicitou que Moraes inclua Zema no inquérito das fake news, após o compartilhamento de um vídeo satirizando ministros do STF e relacionando-os ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Gilmar negou que o pedido tenha o objetivo de inflamar os ânimos. "Acho que todos nós que atuamos na vida pública temos que ter responsabilidade e não podemos fazer esse tipo de brincadeira. Ele (Zema) tenta sapatear, talvez aproveitando do momento eleitoral. Isso precisa ser aferido", afirmou.
Desde segunda-feira, 20, o ex-governador publicou mais de dez vídeos com críticas ao STF em seu perfil no Instagram, alegando ser alvo de perseguição e prometendo manter suas declarações.
"Quero ver quem é que vai me calar, só se arrumar um esparadrapo gigante e colocar na minha boca à força. Caso contrário, eu vou continuar falando que o STF se transformou no Supremo Balcão de Negócios", declarou Zema.