EUA expulsam delegado da PF acusado de tentar driblar pedidos de extradição após prisão de Ramagem
Departamento de Estado americano alega manipulação do sistema de imigração e perseguição política estendida ao território dos EUA.
Os Estados Unidos determinaram a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo do país, sob a acusação de tentar "manipular o sistema de imigração", "contornar pedidos formais de extradição" e "estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos". O anúncio foi feito pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, em sua conta oficial nas redes sociais.
A expulsão ocorre após a prisão e posterior soltura, pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA (ICE), do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e fugiu para os Estados Unidos.
Fontes oficiais confirmaram à reportagem que o delegado envolvido é Marcelo Ivo. A Polícia Federal informou que ainda não foi comunicada formalmente sobre a decisão, enquanto o Ministério das Relações Exteriores declarou, em nota, que não tem comentários a fazer neste momento.
Marcelo Ivo atua como oficial de ligação da PF em Miami desde agosto de 2023, sendo responsável por intermediar relações com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, órgão encarregado de temas como imigração e terrorismo.
Após a repercussão, Ramagem compartilhou nas redes sociais a publicação da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) ironizou a saída do delegado brasileiro, afirmando no X (antigo Twitter) que "a Polícia Federal quis dar uma de malandra".
Segundo Eduardo Bolsonaro, "o caso do Ramagem, que seria um caso de extradição, porque ele tem uma condenação injusta no Brasil, a Polícia Federal tentou driblar as autoridades americanas e tratar o caso como um caso de deportação por status migratório incorreto, que na verdade também não se configura porque o Ramagem está legal nos Estados Unidos e com pedido de asilo válido".