Cármen Lúcia reconhece gravidade da crise de confiança no Judiciário
Ministra do STF destaca necessidade de enfrentar descrédito e aponta desafios institucionais em meio a escândalos e desconfiança global.
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu nesta sexta-feira, 17, que a crise de confiança da população no Poder Judiciário é grave e precisa ser tratada com seriedade. Durante palestra para estudantes de Direito Civil na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, a magistrada abordou a crescente descrença nos sistemas de justiça.
"A crise de confiabilidade do Poder Judiciário é séria, grave, precisa ser reconhecida e não apenas por nós, juízas e juízes", afirmou Cármen Lúcia.
A ministra ressaltou que, embora existam questões a serem corrigidas na Justiça brasileira, a falta de confiança nas instituições é um fenômeno internacional. "Temos no Brasil o problema da confiabilidade, principalmente no Supremo, tenho ciência. Mas é preciso saber por que e como. Há equívocos e erros que precisam ser aperfeiçoados e há um movimento internacional para que não tenhamos Poder Judiciário, porque aí você tem uma fragilidade do direito", declarou.
Em outro evento, realizado na Fundação Fernando Henrique Cardoso na última segunda-feira, 13, Cármen Lúcia também discutiu a crise de confiança no Judiciário e possíveis reformas na dinâmica do tribunal. Na ocasião, ela destacou que a credibilidade das instituições, tanto públicas quanto privadas, tem sido questionada.
Segundo a ministra, essa "crise de desconfiança global" é agravada pelos desafios de julgar temas constitucionais cada vez mais complexos. "Aquele mundo com parâmetros postos acabou e estamos vivendo outro", disse.
A crise se intensificou após recentes revelações envolvendo membros do STF e suas famílias. Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira, 13, aponta que 55% dos brasileiros acreditam que ministros do Supremo estão envolvidos no escândalo do Banco Master.
O STF tornou-se foco do caso após ser divulgado que Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, manteve contrato milionário com o Banco Master. Também vieram à tona mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro do ano passado.
Além disso, uma empresa da qual o ministro Dias Toffoli é sócio teria recebido recursos de um fundo ligado ao banco. Após a revelação, Toffoli deixou a relatoria das investigações e se declarou suspeito para julgar o caso.