JUSTIÇA

Justiça de SP interdita FHC e nomeia filho como curador provisório

Medida foi tomada após agravamento do quadro de saúde do ex-presidente, diagnosticado com Alzheimer em estágio avançado

Publicado em 16/04/2026 às 08:29

A Justiça de São Paulo determinou, nesta quarta-feira (15), a interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 94 anos. A decisão foi assinada pela juíza Ana Lúcia Xavier Goldman, da 2ª Vara da Família e Sucessões, após pedido apresentado pelos filhos.

Com a medida, o filho Paulo Henrique Cardoso foi nomeado curador provisório, ficando responsável pela administração patrimonial e financeira do ex-presidente. A decisão tem efeito imediato, mas caráter temporário.

O processo tramita sob segredo de Justiça. De acordo com a decisão, a nomeação foi baseada em relatório médico anexado aos autos, além da concordância dos demais familiares. O documento também destaca a relação de confiança entre pai e filho, incluindo a existência de uma procuração anterior.

O pedido de interdição foi feito pelos filhos Paulo Henrique, Luciana e Beatriz, em razão do agravamento do estado de saúde de FHC, diagnosticado com Doença de Alzheimer em estágio avançado. Segundo a petição, o filho já exercia informalmente a função de gestão dos interesses do pai.

Na prática, o curador passa a responder legalmente pelos atos civis do ex-presidente, especialmente em questões relacionadas à administração de bens e finanças.

A decisão judicial também determina a citação de Fernando Henrique Cardoso para que ele possa se manifestar no prazo de 15 dias. O oficial de Justiça deverá informar à Vara sobre as condições de locomoção do ex-presidente e sua reação ao receber a notificação.

Além disso, a magistrada autorizou diligências para verificar a existência de eventuais procurações ainda vigentes em nome de FHC, com consulta a sistemas como a Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados (Censec).

O Ministério Público acompanha o caso. A decisão reforça que a curatela provisória deve seguir critérios de legalidade, transparência e proteção dos interesses do ex-presidente.