OPERAÇÃO POLICIAL NA PARAÍBA

Quem é Edvaldo Neto, prefeito afastado na Paraíba sob suspeita de desviar R$ 273 milhões

Prefeito de Cabedelo foi afastado após operação que investiga suposto esquema de fraudes em licitações e ligação com facção criminosa.

Publicado em 14/04/2026 às 16:36
Edvaldo Neto

O prefeito de Cabedelo, na Grande João Pessoa, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo nesta terça-feira, 14, durante uma operação conjunta do Ministério Público da Paraíba e da Polícia Federal. A ação visa desarticular um suposto esquema de fraudes em licitações na prefeitura, que teria causado desvios estimados em até R$ 273 milhões.

Edvaldo Neto comandava a prefeitura interinamente desde 2025 e foi eleito no último domingo, 12, em eleição suplementar realizada após a cassação do então prefeito André Coutinho (Avante) e da vice Camila Holanda (PP). Ambos foram afastados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba devido a irregularidades no pleito de 2024, incluindo acusações de compra de votos e envolvimento com facções criminosas, denúncias que eles negam.

Além de Edvaldo, outros três servidores municipais foram afastados. A prefeitura de Cabedelo foi procurada para comentar o caso, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para posicionamento.

Na eleição suplementar, Edvaldo obteve 61% dos votos, superando o delegado da Polícia Civil Wallber Virgolino (PL). Antes de assumir a prefeitura, Edvaldo presidiu a Câmara Municipal de Cabedelo. Ele foi eleito vereador em 2020, pelo Republicanos, e reeleito em 2024, já pelo Avante.

Esquema investigado

A operação que resultou no afastamento de Edvaldo Neto apura a existência de um esquema de fraudes em licitações, que teria permitido a captura da administração municipal pela facção criminosa "Tropa do Amigão", apontada como braço do Comando Vermelho na região.

Segundo as investigações, haveria um "consórcio político-criminoso" envolvendo agentes públicos, empresários e integrantes do Comando Vermelho. O grupo teria utilizado contratos públicos para fortalecer seu poder, financiar atividades ilícitas e controlar o território.

O esquema, conforme apontam os investigadores, funcionaria por meio da empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda., responsável por inserir indicados da facção na administração municipal, direcionar contratações e desviar recursos sob a justificativa de pagamentos de mão de obra. Em contrapartida, a facção manteria o domínio territorial, garantindo estabilidade política e redução de conflitos armados. A reportagem busca contato com a empresa citada. O espaço está aberto para manifestação.

O Ministério Público também aponta evidências de um sistema de "troca" entre a facção e a gestão municipal, envolvendo oferta de apoio territorial em troca de cargos e contratos públicos.