Alfredo Gaspar: decisão que impede saída de vereadores foi tomada antes de sua assunção à presidência do partido
Posicionamento de Gaspar indica que disputa deve migrar do campo político para o jurídico
O deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, recém-empossado presidente do Partido Liberal (PL) em Alagoas, afirmou que a decisão sobre os vereadores que deixaram a legenda já foi tomada pela direção nacional. Com isso desfiliações poderão resultar na perda de mandato dos parlamentares.
Decisão veio da nacional
Segundo Alfredo Gaspar “a decisão sobre os vereadores que deixarem o partido já foi tomada pela direção nacional, antes da minha assunção à presidência do partido”, afirmou.
A declaração foi feita à Tribuna do Sertão, por meio de sua assessoria, e ocorre em meio à saída do vereador Eduardo Canuto do PL para o PSDB, movimento que acirrou a crise partidária na Câmara Municipal de Maceió.
Com isso, o dirigente deixa claro que a nova direção estadual apenas cumpre uma orientação já definida pelo comando nacional do PL, liderado por Valdemar da Costa Neto.
Entenda o caso
O impasse começou quando vereadores do PL em Maceió, entre eles Eduardo Canuto, receberam uma carta de anuência assinada pelo então presidente estadual da legenda, o prefeito JHC, autorizando a saída do partido.
No entanto, poucos dias depois, a direção nacional do PL anulou as cartas e notificou os parlamentares, informando que não reconheceria as desfiliações.
A decisão foi interpretada como uma tentativa de conter a saída em bloco de vereadores e preservar a força da legenda na capital.
Canuto ignora alerta e muda de partido
Mesmo diante da notificação, Eduardo Canuto confirmou sua saída do PL e oficializou sua filiação ao PSDB, partido hoje comandado por JHC em Alagoas.
A mudança foi celebrada pelo vereador como um retorno à sigla pela qual já disputou eleições, mas ocorre sob risco jurídico.
Risco real de perda de mandato
Com a posição reforçada por Alfredo Gaspar, o cenário para os vereadores que deixaram o PL se torna mais delicado.
Sem a anuência reconhecida pelo partido, a desfiliação pode ser enquadrada como infidelidade partidária.
Caso o PL ou o Ministério Público Eleitoral acionem o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e a Justiça entenda que não houve justa causa, os parlamentares podem perder o mandato.
PL fecha o cerco
A fala de Alfredo Gaspar sinaliza que o partido não pretende recuar.
Ao assumir o comando do PL em Alagoas, o deputado já encontra uma crise instalada e opta por manter a linha dura definida pela direção nacional.
Nos bastidores, a avaliação é de que qualquer flexibilização poderia estimular novas saídas e enfraquecer ainda mais a legenda no estado.
Disputa política ganha tom jurídico
O caso deixa de ser apenas político e passa a ter desdobramentos jurídicos relevantes.
De um lado, vereadores que migraram apostando em uma nova configuração partidária.
Do outro, um partido que decidiu reagir e endurecer o cumprimento da fidelidade partidária.
No centro desse embate está a declaração de Alfredo Gaspar, que praticamente antecipa o caminho que poderá ser seguido: a disputa deve parar na Justiça Eleitoral.