CRISE PARTIDÁRIA

Boulos rebate rumores de saída do PSOL e critica carta de dissidência

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência nega que esteja migrando para o PT e classifica nota de dissidentes como "apócrifa" e "oportunista".

Publicado em 20/03/2026 às 18:18
Ministro Guilherme Boulos Diego Campos/Secom-PR

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reagiu nesta sexta-feira, 20, à divulgação de uma nota por parte de uma dissidência da Revolução Solidária — corrente da qual faz parte no PSOL — que afirmava sua suposta saída do partido em direção ao PT. Boulos classificou o grupo como "apequenado" e a carta, considerada por ele "apócrifa", como demonstração de "oportunismo e desespero".

"O Movimento Revolução Solidária está discutindo internamente seus rumos políticos. Lamentamos que uma parte do PSOL tenha decidido se apequenar ao divulgar uma carta apócrifa, o que revela oportunismo e desespero", afirmou Boulos em nota enviada ao Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

De acordo com informações do Estadão/Broadcast, fontes do PSOL relataram que Boulos já teria comunicado a aliados sua intenção de migrar para o PT. Caso isso ocorra, filiados vinculados à tendência de Boulos e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) também deixariam a sigla.

No entanto, aliados do ministro negam qualquer movimentação nesse sentido. Segundo eles, trata-se de uma inverdade propagada por uma ala do PSOL e Boulos permanecerá no partido. Desafiaram, inclusive, os que defendem a saída a apresentarem provas de que ouviram tal decisão diretamente de Boulos.

Uma nota que circula em grupos internos do PSOL, assinada por membros da Revolução Solidária mas sem identificação nominal, afirma que o ministro comunicou sua saída na noite de quinta-feira, 19. O texto tem sido compartilhado por integrantes insatisfeitos com a atuação de Boulos.

"Ontem (quinta-feira, 19) de noite, finalmente, a Coordenação Nacional da Revolução Solidária foi informada da decisão de Guilherme Boulos, do MTST e portanto do núcleo dirigente da Revolução Solidária, de sair do PSOL para o PT", diz o comunicado.

O grupo também alega que parlamentares e pré-candidatos do PSOL estariam sendo "pressionados" a acompanhar Boulos e migrar para o PT.

"Apelamos aos militantes do PSOL ainda na Revolução Solidária a romperem com a corrente, ficarem no PSOL e se reorganizarem para enfrentar esta crise e se somarem a todos que no PSOL lutam para reafirmar o nosso projeto de partido e para reeleger Lula", conclui a nota.

Filiado ao PSOL desde 2018, Boulos assumiu a Secretaria-Geral da Presidência em outubro de 2025, substituindo Márcio Macêdo (PT). Sua ida para o governo federal foi criticada por setores internos do partido.

Em 7 de março, o diretório nacional do PSOL rejeitou, por 47 votos a 15, a proposta de federação com o PT para as eleições de 2026. A Revolução Solidária, liderada por Boulos, era uma das principais defensoras da aliança. O partido optou por renovar a federação com a Rede Sustentabilidade.