ELEIÇÕES EM SÃO PAULO

Haddad atribui derrota no Estado ao interior e defende diálogo com partidos conservadores

Ex-ministro destaca importância do interior paulista no resultado eleitoral e reforça abertura a apoios desde que respeitem princípios do programa

Publicado em 20/03/2026 às 11:26
Haddad Reprodução

O pré-candidato ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que a derrota para o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas últimas eleições foi consequência de desempenho inferior no interior do Estado. Haddad ressaltou ainda que não possui preconceito em receber apoios de partidos de centro e centro-direita.

“Não tenho nenhum preconceito contra o apoio de partidos conservadores, respeito o princípio número um: em princípios e valores não se abre mão”, declarou Haddad durante conversa com jornalistas na manhã desta sexta-feira (20), em São Paulo. Ele lembrou o apoio do PP em sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2012, classificando-o como decisivo para a vitória.

O ex-ministro destacou que, naquela ocasião, não abriu mão de nenhum item programático nem de seus princípios e valores. Segundo Haddad, o PP contribuiu com sugestões ao programa de governo, incorporados apenas quando não conflitavam com o plano geral. Ele afirmou que as contribuições e apoios continuam sendo aceitos, desde que respeitem as diretrizes do programa a serem editadas para o Estado.

"Tenho muita fé de que essa coalizão de 2022 vai ser mantida. Então eu estou trabalhando com esse cenário, daí para mais. Se ficar nisso, é a mesma condição que eu tive em 2022, não vou reclamar", afirmou. “Se for possível ampliar, vamos tentar, mas desde que não tenha nenhum problema de programa de governo.”

Haddad observou que o campo progressista costuma ter melhor desempenho nos grandes centros urbanos, parecendo que, segundo ele, se repete em outros países. Como exemplo, citou Nova York, que elegeu o prefeito Zohran Mamdani, e é responsável pelo ex-prefeito Bill de Blasio. Ele acrescentou que, mesmo em cidades onde lideranças liberais ou conservadoras são eleitas, há uma tendência de adoção de práticas progressistas devido às demandas urbanas.

"Então nós temos, eficaz, mais dificuldade com o interior. Eu fiz 55% dos votos na região metropolitana e 35% no interior. Foi por isso que perdemos a eleição", explicou Haddad. "Continua o desafio de fazer um diálogo mais amplo com setores que são um pouco mais conservadores do que os da metrópole. E é um desafio que não é local, é um desafio mundial."