JUSTIÇA ELEITORAL

Corregedor do TSE rejeita pedido do PL para investigar Lula por homenagem em desfile na Sapucaí

Ministro Antonio Carlos Pereira extingue ação do PL que buscava apurar suposto uso de recursos públicos em homenagem a Lula no carnaval.

Publicado em 19/03/2026 às 16:34
@eduardohollanda / Instagram

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Pereira, extinguiu nesta quinta-feira, 19, a ação apresentada pelo Partido Liberal (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PL solicitava que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigasse se o desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente teria cometido abusos ou violado normas eleitorais.

O partido ingressou com um pedido de "produção antecipada de prova", alegando a necessidade de apurar se o desfile "teria sido estruturado com financiamento público e com utilização da máquina administrativa, convertendo-se em ato político eleitoral".

Na decisão, o ministro destacou que a maior parte das provas pretendidas pelo PL diz respeito a dados públicos, cuja preservação é obrigatória, "não tendo sido demonstradas nos autos evidências concretas de risco de desaparecimento, modificação ou impossibilidade futura de produção da prova". Ele também ressaltou que o PL não comprovou negativa ou omissão dos órgãos responsáveis em fornecer as informações requeridas.

"A bem da verdade, o que se observa é a pretensão de utilização do processo judicial para organizar e consolidar dados públicos dispersos, o que não caracteriza, propriamente, a necessidade de intervenção judicial", afirmou Pereira. "Noto que a pretensão do requerente revela, na verdade, a utilização do processo judicial como mecanismo exploratório de obtenção ampla e indiscriminada de informações", completou.

O desfile da Acadêmicos de Niterói foi alvo de críticas de diversos opositores do governo Lula. Além do PL, o partido Novo e o deputado federal Kim Kataguire (União-SP) também acionaram o TSE, apontando possíveis irregularidades eleitorais. A principal acusação é de que recursos federais teriam sido utilizados para financiar a homenagem ao presidente em ano eleitoral.

Em resposta, o governo federal afirmou que não houve ingerência na produção artística da escola de samba e que os recursos da Embratur, destinados à Acadêmicos de Niterói, foram distribuídos igualmente entre todas as escolas do carnaval do Rio de Janeiro.