POLÍTICA

Relator da CPI do Crime Organizado critica decisão de Gilmar Mendes sobre quebra de sigilo

Senador Alessandro Vieira afirma que decisão do STF busca travar investigações e proteger poderosos

Publicado em 19/03/2026 às 12:35
Relator da CPI do Crime Organizado critica decisão de Gilmar Mendes sobre quebra de sigilo Reprodução

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou nesta quinta-feira (19) a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen aprovou pela comissão parlamentar. Segundo Vieira, o magistrado tem atuado para proteger o também ministro Dias Toffoli, esses negócios recebidos aportes do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

"Infelizmente, não é surpresa. Ainda ontem (quarta-feira, 18) alertei no plenário do Senado para essa ação articulada por ministro algunss com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade de poderosos. Para contemplar seus interesses não há nenhum constrangimento em rasgar a Constituição e atropelar outro Poder da República. Reitero o alerta: o abuso constante está destruindo a denúncia da Justiça", escreveu o senador em sua conta no X.

O parlamentar informou que a comissão poderá solicitar a decisão de seguir investigando o envolvimento de ministros do STF com o Banco Master. “Vamos resistir em todas as frentes, seja através de recursos ao presidente do STF ou na luta pela CPI especificamente para investigar os ministros supostamente envolvidos no escândalo. Essa é a verdadeira defesa da democracia, que só existe com todos iguais perante a lei”, completou.

De acordo com informações do Estadão, o fundo Arleen tinha como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e adquiriu cotas do resort Tayaya, no interior do Paraná, empreendimento do qual Toffoli, seus irmãos e um primo eram sócios. O resort recebeu, ao todo, R$ 20 milhões. Gilmar Mendes já havia anulado anteriormente a quebra de sigilo de Maridt, empresa da família Toffoli beneficiada pelos esportes.

Desta vez, Gilmar Mendes considerou inválido o requerimento de autoria do senador Sérgio Moro (União-PR), aprovado na quarta-feira (18), por ter sido votado em bloco. O ministro citou decisão anterior de Flávio Dino, que anulou a quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela CPI do INSS.

"Nesse ponto, sem me alongar de forma excessiva, lembre-se que o Ministro Flávio Dino (...) registrou que a votação em bloco (ou em globo) de requisitos de quebra de sigilo 'parece não se compatibilizar com as critérios constitucionais e legais'", escreveu Gilmar Mendes.

O autor do requerimento anulado, Sérgio Moro, também criticou a decisão do ministro, com quem mantém divergências desde os tempos em que era juiz federal e coordenava a Operação Lava Jato, da qual Gilmar era crítico.

“Atualmente, as CPIs do Congresso fazem o seu trabalho e investigam crimes graves, enquanto alguns ministros do STF atuam para impedir as investigações”, afirmou Moro em sua conta no X.