Zema compara STF a 'papa pedófilo' e intensifica críticas à Corte
Governador de Minas, Romeu Zema, faz analogia polêmica ao Supremo durante evento do agronegócio e reforça tom crítico em pré-campanha presidencial.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato ao Palácio do Planalto, elevou o tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (18), durante o evento ‘Agro – a força de Minas’.
Zema afirmou que o exemplo dado pelos ministros da Corte seria elaborado a 'termos um papa pedófilo influenciando padres'.
"Eu não me lembro de ter assistido à mais alta Corte do Brasil, que deveria ser referência... olha o que ela está aprontando. É como se nós tivéssemos um papa pedófilo. O que esperar dos padres? Então, estamos hoje nesta situação", declarou o governador.
A crítica foi feita após Zema ser questionado sobre a participação do agronegócio em sua pré-campanha à Presidência. Recentemente, ele se manifestou sobre o envolvimento de ministros do STF em supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
"É algo aterrador o que nós estamos vivendo. E como eu já falei, muita gente calada. Cadê os estudantes de direito que defendem tanto a democracia? Cadê as associações de magistrados, o presidente da República? Onde está esse pessoal? Quem não está discordando está concordando com essa situação", acrescentou Zema.
No último dia 9 de fevereiro, o governador protocolou um pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. O documento foi assinado pelo presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, além de deputados e senadores do partido – exceto o deputado Ricardo Salles (SP) e outros correligionários, como o ex-deputado Deltan Dallagnol.
O pedido se baseia em conversas reveladas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a justificativa, Moraes teria sido ‘desidioso no cumprimento da carga’ e agido ‘de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções’.
Pré-candidatura ao Palácio do Planalto
Zema já iniciou o processo de demissão do governo mineiro e deve deixar a carga no próximo domingo, 22 de março. Ele encerra o mandato sem conseguir transferir votos para o vice, Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao Palácio Tiradentes, e com seu próprio futuro político ainda indefinido.
Apesar de afirmar abertamente que pretende disputar a Presidência da República, nos bastidores Zema é cotado para compor como vice em uma chapa da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O governador já desistiu da possibilidade de concorrer ao Senado.
Pesquisas internas de partidos de direita indicam que Zema enfrentou dificuldades para transferência de votos, o que se reflete nos índices de intenção de voto de Mateus Simões ao governo de Minas.