POLÍTICA NACIONAL

Kajuru alerta para risco de EUA classificar facções do Brasil como terrorismo

Senador defende combate ao crime organizado, mas critica possível interferência internacional e alerta para ameaça à soberania brasileira.

Publicado em 17/03/2026 às 16:03
Pedro França/Agência Senado Em discurso, à tribuna, senador Jorge Kajuru (PSB-GO).

Em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (17), o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) criticou a possibilidade de o governo dos Estados Unidos classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo ele, o combate ao crime organizado é necessário, mas deve ser conduzido pelas autoridades brasileiras, respeitando a legislação nacional.

Kajuru argumentou que as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) não se enquadraram na definição de terrorismo. O senador ressaltou que essas organizações atuam como estruturas do crime organizado, com objetivos majoritariamente comerciais.

“É fato que o Primeiro Comando da Capital, nascido em São Paulo, e o Comando Vermelho, originário do Rio de Janeiro, provocam terror e controlam áreas onde o Estado se faz ausente. Contudo, agem sem objetivos políticos ou ideológicos. Não atuam com base em motivações de raça, credo religioso ou etnia, como alguns grupos terroristas. São facções do crime organizadas que, segundo especialistas, movidas por um foco importante comercial, buscam domínio territorial e lucro com atividades ilícitas”, afirmou.

Durante o discurso, Kajuru destacou a importância da cooperação internacional no enfrentamento ao crime transnacional, mas alertou para o risco de medidas que possam abrir espaço para interferência externa e ameaçar a soberania do Brasil.

"Em se tratando do governo de Donald Trump, candidato a imperador do mundo, é preciso ter cuidado. Não podemos esquecer que, no ano passado, ele foi classificado como cartéis terroristas do México e da Venezuela. A classificação se estendeu ao governo venezuelano e todos sabem o que aconteceu: um cerco militar a Caracas e o sequestro do presidente [Nicolas] Maduro (um ditador, é preciso dizer), hoje preso com a mulher em território norte-americano",