POLÍTICA

PT diz que Flávio é 'marcado' por rachadinha e enriquecimento 'incompatível com vida pública'

Publicado em 17/03/2026 às 13:30
Reprodução / Instagram

A cúpula do PT partiu para o confronto explícito com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desta vez em uma resolução política, texto que serve para nortear os rumores do partido. Um documento aprovado nesta segunda-feira, 16, pela Executiva Nacional do PT diz que Flávio é um parlamentar “marcado por denúncias e investigações”, como a da “rachadinha”, e associado ao escândalo do Banco Master à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Procurado, o senador não se manifestou após vir ao público a resolução do PT, a primeiro que deixa marcas registradas acusações frontais contra ele.

Como mostrou o Estadão, o avanço de Flávio nas pesquisas de intenção de voto fez o PT mudar a estratégia e antecipar a artilharia que antes era reservada para o início oficial da campanha, no segundo semestre.

A nova ofensiva ocorreu depois que levantamentos produzidos por vários institutos indicaram que Flávio apareceu técnico empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulação de segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto.

"A candidatura de Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas. Trata-se de um parlamentar marcado por denúncias e investigações envolvendo esquemas de rachadinha, movimentações financeiras suspeitas e um histórico de enriquecimento incompatível com a vida pública", afirma a resolução política do PT. O texto sustenta, ainda que, ao longo de sua trajetória parlamentar, Flávio “jamais apresentou um projeto relevante para o desenvolvimento do País”.

O Estadão revelou o caso das rachadinhas envolvendo o senador. De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, o esquema consistia na apropriação de parte dos funcionários do gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual. Flávio sempre negou as acusações.

As últimas pesquisas de intenção de voto foram ordinárias nas fileiras do PT como "tragédia" e uma ala do partido avaliando que o governo tem demonstrado letargia para reagir, sem conseguir apresentar uma agenda positiva.

Na tentativa de se desvencilhar dos novos escândalos de corrupção, tanto no INSS como no Banco Master, a resolução política que recebeu sinal verde do PT também joga a fraude na instituição controlada por Daniel Vorcaro no colo do bolsonarismo.

"O escândalo do Banco Master é o retrato desse modelo. O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes acusações de gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades. Diante de tantas evidências, cabe perguntar: por que o Banco Central, então sob a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, não tomou as medidas possíveis para intervir e proteger o sistema financeiro e os recursos públicos?", questiona o trecho do documento.

A ordem do governo Lula e do PT é carimbar o escândalo como “Bolsomaster” e bater na tecla de que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi o maior doador da campanha de Bolsonaro e também de Tarcísio de Freitas, hoje governador de São Paulo, em 2022.

O texto do PT destaca, ainda, o que chama de "um sistema de relações promíscuas entre operadores políticos, interesses financeiros e setores do Estado que protegem privilégios de poucos em detrimento do interesse nacional". Não menciona, porém, suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, em negócios com o empresário conhecido como Careca do INSS.

O documento não cita denúncias de ligações de petistas na Bahia com o Mestre durante o governo de Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil. Um dos trechos da resolução diz que, ao contrário do que ocorre na gestão de Bolsonaro, no governo Lula “as instituições de controle e investigação têm plena autonomia para atuar no combate à corrupção”.

Em outra frente, a cúpula do PT também procura se aproximar das mulheres, após pesquisas indicarem que Lula perdeu votos no eleitorado feminino. Tanto é assim que o texto aprovado pela Executiva Nacional petista lembra que o governo Bolsonaro extinguiu o Ministério das Mulheres e “naturalizou” discursos machistas.

“Não podemos esquecer que o próprio Jair Bolsonaro chegou a afirmar que ter uma filha mulher foi uma “fraquejada”, expressão que sintetiza a visão profundamente desrespeitosa e patriarcal que esse campo político reproduzido”, assinala a resolução.