POLÍTICA

Bittar propõe adiar sabatinas do STF para 2027 após renovação do Senado

Senador defende que novas indicações ao Supremo só sejam analisadas após as eleições, alegando falta de legitimidade da atual legislatura.

Publicado em 16/03/2026 às 17:14
Em discurso, à tribuna, senador Marcio Bittar (União-AC). Marcos Oliveira/Agência Senado

O senador Marcio Bittar (PL-AC) afirmou nesta segunda-feira (16), em plenário, que o Senado deveria adiar as sabatinas e a aprovação de novas indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF) até o próximo ano, após a renovação de dois terços da Casa nas eleições de outubro.

— Este Senado perdeu a legitimidade moral para aprovar a indicação, não apenas do [Jorge] Messias, mas de qualquer outro nome indicado por esse governo em fim de linha. Não é questão pessoal, é questão de coerência constitucional e de dignidade — declarou Bittar.

O parlamentar referiu-se a Jorge Messias, indicado em novembro pelo presidente Lula para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF. Até o momento, não há previsão para a realização da sabatina de Messias.

— Como é que o Senado vai aprovar um indicado para a corte que humilha, castiga, usurpa e nulifica as decisões dessa corte e deste Senado? O melhor que fazemos é deixar para o eleitor, que vai eleger dois terços do Senado, que vai eleger um novo presidente. Que esses novos eleitos indiquem quem quiserem indicar, e o Senado aprova ou não — sugeriu o senador.

Bittar também defendeu que o Senado vote com urgência pelo fim das decisões monocráticas com efeito vinculante sobre atos do Poder Legislativo.

— Um ministro do STF não pode, sozinho, suspender investigações parlamentares. Não pode, sozinho, restaurar decretos que o Congresso derrubou democraticamente. Não pode, sozinho, liberar investigados de comparecer às CPMIs constitucionalmente instituídas. Isso não é democracia, isso é oligarquia judicial. Enquanto este Senado não tiver a coragem de enfrentar essa realidade, continuaremos assistindo ao esvaziamento progressivo do Poder Legislativo — concluiu.