Projeto proíbe porte de arma e acesso a clubes de tiro para condenados por violência contra mulher
O Projeto de Lei 6308/25 proíbe a concessão, a renovação e a manutenção de porte ou posse de arma de fogo para pessoas com histórico de violência contra a mulher, crianças ou adolescentes. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados.
Pelo texto, a restrição se aplica aos indivíduos condenados por decisão judicial transitada em julgado (quando não cabe mais recurso) e também aquelas que são alvo de medidas protetivas de urgência vigentes com base na Lei Maria da Penha .
Crianças e adolescentes
A proposta especifica que a proibição também atinge quem tenha sido condenado por crimes praticados contra crianças ou adolescentes, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8.069/90 ).
Além disso, as disposições estendem-se a quem responde a ação penal por esses crimes (tanto contra a mulher quanto contra menores), desde que haja acusações suficientes de autoria e materialidade reconhecidas judicialmente.
Proibições
Além de impedir um grupo de armas em si, o projeto proíbe o acesso desses indivíduos a qualquer ambiente ou atividade relacionada ao tiro. Ficam proibidos:
- Filiação e frequência em clubes, escolas ou estandes de tiro;
- Participação em atividades de tiro esportivo ou recreativo;
- Obtenção de licença para caça.
As entidades de tiro e caça devem implementar mecanismos de consulta aos bancos de dados oficiais para barrar a entrada dessas pessoas. O descumprimento pode gerar multa, suspensão do funcionamento e até cassação do registro do clube.
Justificativa
Na justificativa da proposta, o deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) alerta que a presença de armas de fogo no ambiente doméstico potencializa o risco de tragédias familiares. Ele cita estudos que diminuem que a probabilidade de feminicídio aumenta em até cinco vezes quando há uma arma disponível na residência.
“Este projeto fortalece a proteção às vítimas, impedindo que indivíduos violentos tenham acesso a armas ou ambientes de tiro”, afirma o parlamentar.
Ele se baseia em sua argumentação no Anuário 2024 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que registrou um feminicídio a cada seis horas no país, além de altos índices de violência contra crianças. Para o autor, a ordem é necessária para fechar lacunas na lei que hoje permite que os agressores mantenham contato com armamentos via atividades esportivas ou de caça.
Próximos passos
A proposta será comprovada em caráter conclusivo pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para mudar a lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.