JUSTIÇA E POLÍTICA

Gleisi processa Flávio Bolsonaro por vídeo que a vincula ao crime organizado

Ministra pede indenização e remoção de publicação em que senador usa IA para associá-la a organizações criminosas.

Publicado em 16/03/2026 às 16:40
Gleisi Hoffmann Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ingressou nesta segunda-feira (16) com uma ação judicial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O motivo é um vídeo publicado por Flávio em suas redes sociais, no qual Gleisi é associada a organizações criminosas por meio de recursos de inteligência artificial.

Segundo a defesa da ministra, o senador faz uso "nefasto do abuso" do direito de expressão e da inviolabilidade parlamentar, "com a intenção de aniquilar a condenação de adversários políticos, por meio de propagação de medo e ódio". Gleisi solicita indenização por danos morais e remoção do conteúdo das plataformas.

O vídeo foi publicado no domingo (15) e utiliza imagens manipuladas de Gleisi para vinculá-la à violência e à criminalidade. “As ligações do PT com o submundo parecem não ter limites. Lula e o PT sempre acabam se alinhando com o que não presta”, escreveu Flávio Bolsonaro na postagem.

Na narração do vídeo, sem citar nomes, afirma-se: "Você já viu como eles tentaram inverter o jogo? Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é. O mesmo palco eles dividem, e até elogios eles trocam." O vídeo ainda sugere que, para o PT, “traficante é vítima e deve ser banido pelo governo”, e critica a resistência a medidas mais duras contra facções criminosas.

A publicação faz menção a uma declaração de Lula durante entrevista em Jacarta, na Indonésia, quando o presidente afirmou que traficantes de drogas também seriam vítimas dos usuários. Posteriormente, Lula pediu desculpas pelo comentário.

O governo federal também foi alvo de críticas por não ter acatado o pedido do governo Trump para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Críticos alegam que tal medida poderia justificar uma possível interferência militar americana no Brasil, mas a oposição usa o posicionamento de Lula para afirmar que ele busca proteger as facções.

O uso de acusações de vínculos com o crime organizado tornou-se frequente tanto entre aliados do governo quanto de oposição. Na semana passada, Gleisi e Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, publicaram um vídeo nas redes sociais atribuindo a Flávio Bolsonaro supostas ligações com organizações criminosas.

Em resposta, Flávio afirmou: "O PT mente. Essa é mais uma fake news para tentar salvar Lula e todos aqueles que estão consumindo o Estado por dentro. A única coisa que o nome Flávio Bolsonaro representa para qualquer facção ou grupo criminoso é algoz".

Com a segurança pública ganhando espaço no debate eleitoral, governo e oposição buscam se associar ao combate ao crime. O Ministério da Justiça e a bancada bolsonarista estão disputando o direcionamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Segurança Pública, em tramitação no Congresso.

Embora a PEC tenha sido proposta pelo governo Lula, a oposição alterou o texto para incluir medidas mais legislativas, como o aumento de penas e a redução da maioridade penal, temas tradicionalmente rejeitados pela esquerda.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em novembro revelou que 88% dos entrevistados defendem penas mais duras e 73% apoiam a classificação de organizações criminosas como terroristas — medida rejeitada pelo governo federal.

Apesar de a segurança pública ser uma atribuição dos Estados e municípios, o Palácio do Planalto pode sofrer desgaste nas eleições de outubro. Por isso, desde 2024, o governo tem buscado se blindar, propondo uma PEC e o projeto de lei Antifacção, ambos em discussão no Congresso.